quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

ALOCAÇÃO DE ATIVOS












A grande maioria dos investidores concentra seus esforços na escolha de ações. Mas, acredito que a administração da carteira tem a mesma importância no sucesso de um investimento de longo-prazo. Com isso quero dizer quatro coisas:
  1. Quantas ações devemos ter e quanto em cada posição (que concentração);
  2. Qual deve ser a diversificação de minha carteira (Por indústria, por capitalização de mercado, etc…);
  3. Saber quando comprar mais; e
  4. Saber quando vender 


Esses assuntos são muito interessantes, hoje vou me concentrar apenas no primeiro.
 
ALOCAÇÃO DE ATIVOS NA CARTEIRA

Embora existam algumas poucas exceções, como Peter Lynch, a grande maioria dos grandes investidores que conheço praticam a "ALOCAÇÃO DE ATIVOS". Eles investem com muito pouca freqüência, apenas quando estão muito confiantes que as chances estão bastante a seu favor, e nesse caso eles apostam alto (não é de surpreender que a mesma tática funciona muito bem em outras atividades como no poker ou na corrida de cavalos. Para aprender mais sobre a alocação de carteira, leia o excelente livro de Bob Hagstrom, The Warren Buffett Way.)

Nas reuniões anuais da Berkshire Hathaway's Warren Buffett e Charlie Munger tem falado sobre esse assunto. Munger falou, "Se excluíssemos nossas 15 maiores idéias, a maioria de vocês não estaria aqui hoje.… Nós temos essa disciplina de investimento, de esperar pela grande jogada." 




Buffett acrescentou:  "Eu mantenho xerox de reuniões anuais de 50 anos atrás e algumas idéias são tão óbvias. Eu sabia, quando me sentei com o CEO da GEICO há 50 anos atrás que aquela seria uma grande idéia.


Quando começarmos a comprar uma ação, queremos jogar pesado. Não consigo me lembrar de uma posição aonde gostaríamos de ter saído. Nós cometemos grandes erros começando a comprar alguma coisa que estava barata mas, fora do nosso círculo de competência, mas caímos fora logo que o preço começou a subir um pouco. As grandes idéias são raras demais para sermos parcimoniosos com elas.  


Você não precisa estar certo em tudo ou em 20%, 10%, ou 5% dos negócios que faz. Só precisa estar certo uma ou duas vezes por ano. Você pode ganhar muito se fizer apenas uma decisão lucrativa em cima de uma única companhia. Se alguém me pedisse para indicar 500 companhias dentro do S&P 500, eu não conseguiria fazer um bom trabalho. Você precisa acertar apenas poucas vezes na vida, desde que não cometa nenhum grande erro.


Parece muito óbvio para mim que faz mais sentido comprar mais da sua melhor idéia do que acrescentar uma centésima posição na sua carteira de 99 ações, - e os fundos de ações costumam ter mais de 100 ações. Na maioria das vezes isso é apenas uma "deworsification" estúpida que se parece mais com o investimento no índice do que uma administração de recursos competente." 

Munger concorda, observando: "é engraçado como a maioria dos fundos não procedem desta  forma (aguardando pela boa jogada). Eles empregam milhões de pessoas, fazem avaliações da  Merck contra a Pfizer e de cada um dos papéis do S&P 500, e acham que vão conseguir bater o mercado. Você não consegue. Muito poucas pessoas adotarão nossa abordagem."  Buffett acrescentou: "Ted Williams, no seu livro The Science of Hitting, disse como ele dividiu a zona de rebote em zonas diferentes e apenas rebate as bolas que caem dentro do seu local favorito. Investir é a mesma coisa."




Tamanho das Posições

OK, vamos supor que você se convenceu que a "alocação de ativos" é a forma correta de se fazer as coisas, e acabou de encontrar um papel que você está atiçando a sua ganância. Que percentual do seu capital você deve colocar nele? 2%? 20%? (ou dada a grande facilidade de se obter empréstimos nos dias de hoje, 200%?) A resposta é, depende de vários fatores, como a sua tolerância a volatilidade, o potencial de alta que você espera obter com ele, e o potencial de baixa. De uma forma geral, a minha carteira ideal tem de 12 a 20 "moedas de 50 centavos que valem um real" (ações que estão sendo comercializados pela metade do que estimo ser seu valor intrínseco), em que cinco são posições que equivalem a 10% da carteira e o resto varia de 5 a 9% . 

Eu não escolhi o número de 12-20 ações arbitrariamente. No excelente livro de  Greenblatt, You Can Be a Stock Market Genius, eles nos informa as seguintes estatísticas  (nas páginas  20-21):

*       Possuir duas ações eliminam 46% do risco específico de possuir apenas uma;
*      Quatro ações eliminam 72% do risco;
*       Oito ações eliminam 81% do risco;
*       16 ações eliminam 93% do risco;
*       32 ações eliminam 96% do risco; e
*       500 ações eliminam 99% do risco.  

Uma vez que uma pessoa tenha uma carteira bem diversificada e balanceada de cerca de doze ações, acrescentar mais ações contribuem muito pouco para a redução do risco, e será obviamente uma grande perda em termos de desempenho se você tiver numa de suas melhores idéias posições de 3 a 5% ao invés de 7 a 10%.

Tenha na sua cabeça que não existe resposta certa para isso, eu conheço vários administradores de carteira que só possuem meia dúzia de papéis nas suas carteiras, mas entre 12 a 20 é o nível em que eu me sinto confortável. Você precisa encontrar sua própria zona de conforto. 




Medindo minhas porções de ações 

Não acrescentarei normalmente um papel a minha carteira a não ser que consiga fazer uma posição de 10%. Se eu não me sentir confiante para fazer uma posição de pelo menos isso, é um bom sinal que não devo possuir esse papel. Um vez que estabeleço essa posição inicial, eu cruzo meus dedos e torço para que o papel......caia. Sim, você leu direito, caia (Lógico que a empresa precisa apresentar sempre melhoras nos fundamentos, senão ela vai cair com a OGX).  Por quê? Porquê desejo comprar mais dele para fazer uma posição de 15%, só que necessito de uma margem de segurança maior para fazer isso.

Conclusão: 

Mesmo que existam poucas dúvidas que a correta alocação de ativos deva obter maiores rendimento no longo prazo, não existem regras rígidas e definitivas de qual concentração a carteira de uma pessoa deva ter - depende da sua tolerância a volatilidade, a existência de outras opções de investimento, a confiança que você tem em sua própria análise, e diversos outros fatores. 





















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