Este axioma menor,
aparentemente, pega no pé da astrologia, mas é só porque na América, como no
resto do mundo ocidental, a astrologia é a mais popular das crenças ocultas. Uma recente pesquisa Gallup mostrou que32 milhões
de americanos adultos acreditam em astrologia, e muitos mais são leitores
ocasionais de horóscopos de jornais e revistas. Outras disciplinas ocultístas,
como feitiçaria e tarô, admitem menores números de fiéis. O 12º axioma menor se
dirige tanto a eles como aos adoradores dos astros.
A proposta aqui oferecida
à sua consideração é a seguinte: se você se sente atraído pela astrologia, ou
por qualquer outra doutrina mística ou sobrenatural, então mergulhe de cabeça
na sua substância e espírito. Divirta-se, torne-a parte da sua vida, faça o que
quiser. Porém, antes de tentar utilizá-la para ganhar dinheiro, preste a si mesmo
um favor. Dê uma olhada nos praticantes dessa doutrina, especialmente nos que
afirmam serem os seus mestres, sacerdotes ou gurus, e faça uma única pergunta:
Eles estão ricos?
Se não estiverem nem mais
nem menos ricos do que qualquer outro grupo humano escolhido ao acaso, você já
aprendeu um fato útil. Por mais que as doutrinas ocultistas possam fazer pela
sua paz interior etc., o que elas não farão é aumentar o seu saldo bancário.
Conforme descobrirá,
astrólogos e seguidores da astrologia, como grupo, não são nem mais nem menos
ricos do que ninguém. O mesmo se aplica a quem acredita em tarô, poderes da
mente ou qualquer outro sistema místico, pseudocientífico ou religioso. No que
se refere a dinheiro, andam tão no escuro, aos tombos, quanto qualquer um.
Alguns são ricos, alguns são pobres.
A maioria se acha no
meio-termo. Quase todos gostariam de ser mais ricos. Por outras palavras, não são
melhores nem piores que ninguém: são iguais.
Como a maior parte dos
pastores, padres e rabinos das grandes religiões, alguns gurus ocultistas lhe
dirão que o negócio deles não é ajudá-lo a enriquecer. Freqüentemente, isto não
passa de pretexto; quando é autêntico, porém, merece os nossos
aplausos. Mas muitos gurus prometem ajuda em questões de dinheiro. A maioria
dos horóscopos, também. Toda hora a gente lê: ‘’Peixes. O período de 3 a 10 de
junho é auspicioso para investimentos...’’
Se pedir aos propagadores
dessas doutrinas místicas que lhe provem que se pode ganhar dinheiro com elas, geralmente
conseguem provar. Isto é o que torna essas doutrinas perigosamente tentadoras.
Como os profetas que estudamos no 4º Grande Axioma, todo ocultista praticante é
capaz de contar a história de um golpe de sorte.
Algumas são realmente
espantosas. Se tiver um amigo ou conhecido que acredite em ocultismo, ele é
capaz de encher a sua cabeça de ‘’provas’’ e você acaba achando que talvez,
quem sabe... Mas, agüente a mão no seu ceticismo e no seu bolso. As histórias
que ouvirá não são diferentes da fantástica aventura de Jesse Livermore com a
Union Pacific. Não provam que uma determinada visão mística é capaz de gerar
dinheiro. Provam apenas que quem passa um bom tempo especulando, um dia acerta
na mosca, possivelmente em circunstâncias muito estranhas.
Eu mesmo já tive dessas
experiências. A mais engraçada ocorreu com um baralho de tarô. Interessei-me
por tarô há muitos anos, quando uma revista me encomendou um artigo sobre a
história dos jogos de cartas. Apurei que o nosso conhecido baralho de 52
cartas, com o qual jogamos bridge, pôquer etc., é descendente direto do baralho
de tarô, de 78 cartas. O tarô foi criado para adivinhar o futuro, não para
jogos, mas alguma coisa chamou minha atenção.
Tornei-me superficialmente
capaz de ler tarô. Um bom meio de animar festas chatas.
Nas minhas pesquisas,
inevitavelmente, topei com histórias envolvendo dinheiro. Muitas das
adivinhações do tarô têm a ver com riqueza e pobreza, de forma que a coisa se
presta bem a histórias de dinheiro. Uma das melhores me foi contada pelo
pessoal da Godnick & Son, corretora de Wall Street, grande especialista em operações
a termo.
Certo dia, um camarada
muito mal vestido apareceu nos escritórios da Godnick em Beverly Hills,
querendo comprar Control Data a termo. Trazia um cheque de pouco menos de 5.000
dólares, em seu nome, de uma caderneta de poupança local. Evidentemente,
acabara de encerrar a sua conta. Com base em vários indícios, Marty Tressler,
gerente da Godnick na Califórnia, deduziu que aquele dinheiro era tudo que o
homem tinha na vida. Preocupado, fez várias perguntas ao estranho cliente.
Tinha certeza de querer
arriscar todo o dinheiro? O homem disse que sim, tinha certeza. Tudo no mesmo papel?
Exato. Mas, pelo amor de Deus, por que Control Data? Nesse tempo, a empresa não
atraía grandes atenções em Wall Street. Achavam que tinha problemas graves, e
que levaria anos a consertá-los. Quando havia negócios, o que não era
freqüente, a ação andava pelos 30 dólares. Diante de Control Data, a reação
típica de um especulador, depois de rápida olhada, era mais ou menos a
seguinte:
- É, um dia pode ser
interessante. Quem sabe, daqui a um ano a gente olha de novo? O cliente de
Marty Tressler, porém, não tinha a menor dúvida quanto ao que queria: Control
Data, Tressler continuou perguntando por quê? Finalmente, o homem balbuciou
qualquer coisa sobre tarô.
As cartas tinham lhe
passado uma dica quente. Mesmo correndo o risco de perder o negócio. Tressler continuou
argumentando com o homem, que não se deixava abalar. Insistia em pôr tudo num
termo de Control Data. Cheio de relutância, Tressler recebeu os 5.000 dólares,
e desejou-lhe boa sorte.
Passados seis meses,
devido a fatores que não podiam ter sido previstos por nenhum método racional, Control
Data era um dos papéis mais quentes do mundo, negociado a mais de 100 dólares.
O estranho cliente apareceu e disse que queria liquidar a sua posição. Recebeu
um cheque de pouco mais de 60.000 dólares. Em seis meses tinha multiplicado o
seu capital em mais de uma dúzia de vezes. Pegou a grana, disse até logo e
nunca mais foi visto pela Godnick & Son.
Um espanto, não é verdade?
Mas a história não acaba ai. Entro eu nela. Até aqui, o caso me foi contado por
Bert Godnick, o & Son da corretora, num restaurante perto de Wall Street.
Ouvi tudo com o maior interesse porque, por acaso, eu era dono de algumas
centenas de ações da Control Data.
Eu não fora presciente
como o leitor de tarô de Marty Tressler. Não comprara as minhas ações a 30
dólares. Quando embarquei já andavam pelos 60, a animação era grande à volta
delas, e eu achava que ainda ficaria maior. Meu palpite estava certo. A cotação
continuou a sua louca escalada. No dia do meu encontro com Godnick, dera um
pulo enorme, parando um pouquinho abaixo de 120 dólares, que eu estipulara como
minha posição de saída.
Conversamos sobre tarô e
sobre Control Data. Godnick não se entusiasmou quando lhe disse que pensava liquidar
a minha posição quando o papel batesse 120. Velho especulador, ele sabia tudo
sobre liquidação de posições, mas achava que, no caso, eu deveria abrir uma
exceção. Seu palpite era de que Control Data prosseguiria quente ainda por
vários meses. O papel subiria muito mais. Conversamos a respeito. De
brincadeira, ele finalmente sugeriu que, se eu não tivesse certeza, consultasse
o meu baralho de tarô.
Também brincando, foi
exatamente o que fiz, no dia seguinte.
Existem várias maneiras de
se obter ‘’orientação’’ de um baralho de tarô. Uma delas é formulando uma pergunta
direta: ‘’O que devo fazer a respeito disto assim-assim?’’ Ou: ‘’Quais são as
perspectivas disto assim assado?’’
Embaralha-se, então,
colocam-se as cartas da maneira prescrita, e elas são estudadas. Supostamente,
a resposta está contida na ordem em que as várias figuras e naipes aparecem, e
se estão de cabeça para cima. (Ao contrário dos baralhos modernos, as cartas de
tarô têm parte de cima e parte de baixo.)
Procedi como mandam as regras
do tarô e fiz a minha pergunta sobre as perspectivas da Control Data. No tarô,
as respostas costumam ser meio equívocas, cheias de ‘’talvez...’’, ‘’quem
sabe...’’, ‘’por outro lado...’’ Para surpresa minha, a que
recebi não tinha talvez. Foi direta, dizendo que o futuro da Control Data era
glorioso, impecável. Eu nunca vira uma disposição de tarô tão segura do que
queria dizer.
Frank Henry teria morrido
de vergonha de mim. Em toda a minha vida, eu jamais permitira que religião ou ocultismo
interferissem nos meus assuntos financeiros. E somente umas poucas vezes, até
então, eu rompera um compromisso que assumira comigo mesmo: sair de um jogo uma
vez atingido o ponto de saída. Mas eu fora apanhado pelo tarô. A ação bateu 120
e, em vez de vender, fiquei só olhando.
LIVRO DE OCULTISMO ANTIGA CIÊNCIA DAS ADIVINHAÇÕES
Em minha defesa, devo dizer que não fiquei amarrado à previsão do tarô, a ponto de adormecer sonhando. Continuei cultivando as minhas sadias preocupações, pronto a pular fora ao primeiro sinal de crise. Durante semanas, porém, nada de sinal. O papel maluco subiu sem parar e bateu 155 dólares.
A essa altura, eu estava
realmente preocupado. Quando você ultrapassa a posição de saída e não sai,
passa a ter a sensação de que gigantescos elásticos o estão puxando para trás.
Quanto mais você anda, mais eles parecem esticados. Quando o papel chegou a
155, tornei a pôr as cartas.
Desta vez, a leitura foi
catastrófica. As cartas diziam que mudanças violentas e imensas infelicidades
vinham pela frente. Imediatamente, fiz o que sempre quisera fazer: mandei
vender.
O papel foi indo, se arrastando, bateu 160 e daí mergulhou. Para quem ficou segurando, uma catástrofe. Onda após onda de ordens de venda foram derrubando o preço, uma desencadeando a seguinte. Quando cessou o pânico, uns nove meses depois, Control Data era negociada a 28 dólares.
O papel foi indo, se arrastando, bateu 160 e daí mergulhou. Para quem ficou segurando, uma catástrofe. Onda após onda de ordens de venda foram derrubando o preço, uma desencadeando a seguinte. Quando cessou o pânico, uns nove meses depois, Control Data era negociada a 28 dólares.
Salvo pelo tarô! Será? Com
o tempo caí na real. Não existe a mais mínima prova de que a minha sorte tenha
sido produto de qualquer qualidade mágica das cartas. O que aconteceu, na
verdade, foram dois bons golpes de sorte.
Realmente, seria bobagem,
no futuro, depender de sorte igual, sob circunstâncias semelhantes. Até tal esperança
seria loucura: poderia me levar, sem escalas, ao desastre financeiro. Tendo
compreendido isto, imediatamente recuei e afastei-me da ilusão ocultista que
quase me envolvera. Guardei o meu baralho de tarô, jurando não tornar a pôr as
mãos nele, a não ser em festas, para divertir o pessoal. Mantive a jura. Com o
tempo, até em festas a coisa ficou sem graça. Perdi o interesse pelo tarô, e já
nem sei onde foi que guardei aquele baralho danado.
Se astrologia funcionasse,
diz o nosso 12º Axioma Menor, todos os astrólogos seriam ricos. O mesmo vale para
o tarô. Qualquer um pode acertar uma ou duas, mas o teste verdadeiro para
qualquer hipótese de se ganhar dinheiro é se funciona sempre. Depois da
aventura da Control Data, se eu ainda tivesse dúvida em rejeitar a ajuda
oculta, pouco tempo depois já não tinha mais.
Certo dia, em Nova York,
fui almoçar com um autoproclamado mestre do tarô. O convite era dele. Vivia de ler
tarô, da venda de baralhos e de um manual de instruções. Sabedor que eu andava
pensando em escrever mais sobre o assunto, achou que era uma chance de obter
divulgação. Por mim, tudo bem. era um tipo interessante.
Garantia que o tarô era um
dos melhores meios do mundo de se atingirem objetivos financeiros.
Terminado o almoço, o
garçom trouxe a conta. O mestre do tarô fez que não viu. Finalmente, acabei
pagando a despesa. Ele sorriu e disse:
- É por conta da firma,
não é mesmo?
Na verdade, na época eu
não trabalhava para firma nenhuma, mas, tudo bem. Só que, ao sairmos do restaurante,
na calçada, as coisas ficaram mais engraçadas ainda. Explicando que, temporariamente,
estava com ‘’um pequeno problema de caixa’’, o mestre do tarô me tomou 5
dólares para o táxi!
Nunca mais botei os olhos
nele, nem nos meus 5 dólares. Mas não me queixo pelo dinheiro. Entrou como despesa
de educação.
"Como a maior parte dos pastores, padres e rabinos das grandes religiões, alguns gurus ocultistas lhe dirão que o negócio deles não é ajudá-lo a enriquecer. Freqüentemente, isto não passa de pretexto (...)"
ResponderExcluirUé, não é o autor que estava reclamando que os astrólogos não enriquecem? Além do mais, o título é uma falácia lógica: um argumento de falsa causa. Nem todos os médicos estão ricos, então, a Medicina não funciona, baseado no raciocínio do autor.
É, quem poderia te explicar isto é o autor do texto.
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