quinta-feira, 6 de março de 2014

AS SETE CRENÇAS FUNDAMENTAIS PARA ADQUIRIR DISCIPLINA E SE TORNAR UM INVESTIDOR DE VALOR














1. O mundo não vai acabar, seja qual for a reação da bolsa. No curto e médio-prazo, o sentimento dos investidores tem mais impacto no preço das ações do que os fundamentos. Mas, no longo prazo são os fundamentos que prevalecem. Durante toda a história do capitalismo os mercados têm sobrevivido e florescido após épocas de crise - Guerras Mundiais, depressões, recessões, ataques terroristas, etc.  No 11 de Setembro o DOW caiu 1.330 pontos em 5 dias, mas em 6 meses recuperou toda a perda.




 
2. Os investidores serão sempre movidos por medo e cobiça, e o mercado irá, como um todo, reagir da mesma forma. A volatilidade é o custo de se fazer negócio. O medo irá jogar o preço das ações para abaixo de seu valor intrínseco, enquanto que a ganância irá empurra-los para cima. Os investidores em valor levam vantagem sobre investidores emocionais.




3. A inflação é o seu verdadeiro inimigo. Tentar prever as variáveis econômicas e a direção do Mercado e da Economia é pura perda de tempo - foque-se no negócio e no seu valor, e lembre-se da crença Nº 1. A inflação tem um efeito devastador sobre os investidores e existe muito pouco que se possa fazer sobre isto. Buffett disse: “a aritmética revela que a inflação é muito mais prejudicial que qualquer outra coisa resultante da nossa legislação". As taxas de inflação têm um poder impressionante de consumir de capital. Se você acredita que pode bailar para dentro e para fora da bolsa vencendo a inflação, eu gostaria de ser seu corretor, mas não seu sócio.

 


4. As boas idéias são difíceis de achar, mas sempre existirão idéias boas lá fora, mesmo nos mercados em baixa. É fácil a bolsa se enganar. Qualquer investidor individual pode ir bem, não importa o que está acontecendo com o Mercado. Os investidores em valor são do tipo "bottom-up”, procurando por um negócio de cada vez.
 



5. O objetivo principal de uma companhia aberta é converter os recursos disponíveis em valor para o acionista. A sua obrigação como acionista é certificar-se que isto está ocorrendo. Isto não é só um dever da companhia, porquê elas são na verdade uma organização de transformação de recursos - Elas transformam todos os recursos em valor para o acionista. Se esta conversão não acontecer, é melhor então que a empresa feche suas portas.Os melhores negócios são aqueles que se destinam a converter recursos - pessoal, capital, marcas, propriedade, plantas e equipamentos - em valor para o acionista. A palavra chave para se conseguir isto é: administração.
 


 
6. Ao investir, noventa porcento do sucesso está em comprar certo. Vender a um ótimo preço não é a parte mais difícil. Por isso, os investidores em valor tendem a comprar cedo e vender cedo (ou nunca). O mercado é bem consistente em oferecer aos investidores oportunidades para comprar ações bem abaixo de seu valor intrínseco e oportunidades para vender bem acima desse valor. Para que os investidores possam tirar vantagem disso eles devem ter uma estratégia para saber exatamente quando comprar e quando vender. É claro que, para os investidores em valor, a compra ideal é aquela que pode ser mantida para sempre!




7. Volatilidade não é risco, é oportunidade. O risco real é uma mudança não esperada e permanente no valor intrínseco da companhia. O investidor em valor não se importa com os movimentos do dia-a-dia do mercado. O preço justo de um papel não varia tanto quanto os preços do papel. Benjamin Graham ficou famoso por dizer que o mercado está lá para servi-lo e não para guia-lo em suas decisões de investimento. Os reais riscos de um negócio são a queda em seu fluxo de caixa e a deterioração de seus fundamentos econômicos, que serão maximizados ou minimizados de acordo com o preço que você pagou por ele.


















quarta-feira, 5 de março de 2014

QUAL O MELHOR CONSELHO SOBRE INVESTIMENTOS QUE O SENHOR JÁ RECEBEU?









Roger McNamee
Co-fundador e sócio-geral da Integral Capital Partners



" - Meu primeiro chefe costumava me dizer: "Roger, a primeira tarefa de qualquer investidor é conhecer a si mesmo".  Além de questões básicas, como perfil de risco, você também precisa entender se é o tipo de pessoa que de fato se interessa em investir, alguém que fará as pesquisas por ser divertido e intelectualmente empolgante ou se é do tipo que adoraria ter retornos sobre os investimentos com o mínimo de esforço.  Você também precisa saber como reage a certos tipos de informação.  É necessário analisar, com sinceridade, seu perfil de risco, seu compromentimento e suas tendências emocionais.






O negócio de investimentos recompensa as pessoas que conseguem pensar com clareza e tomar decisões em momentos de mudança, quando o ambiente está obscuro.  Se você for do tipo que se concentra no mais recente ponto de dados, tem menos chances de ser tão bem-sucedido quanto uma pessoa que consegue ver o último ponto de dados no contexto de um período de vários anos de informações.  Conhecer a si mesmo é o elemento mais importante.  Se você é daqueles que não precisam olhar as cotações das ações todos os dias, é importante saber disso.  Caso adore pesquisar e passar um tempo no mercado, pode ser uma boa idéia tomar suas próprias decisões de investimentos.  Por outro lado, se você deseja ter os retornos, mas sem gastar muito tempo com isso, ou se não consegue reagir friamente a mudanças, então, com certeza, deve encontrar alguém para administrar seu dinheiro.





Um segundo conselho importante é que você pode perder mais dinheiro em questão de minutos do que consegue ganhar em anos.  A lição aqui é que evitar ações perdedoras é tão importante quanto encontrar as vencedoras.  Quando o mercado se ajusta a uma má notícia, isso é feito de imediato, mas o ajuste a boas notícias tende a ser feito ao longo do tempo, e você é recompensado pelas boas idéias e punido pelas más.  Pela minha própria experiência, a busca por um retorno rápido costuma não ser produtiva.  Isso porque as pessoas normalmente querem comprar ações que já subiram bastante e, por isso, tendem a investir como uma recompensa desfavorável ao risco.




Um terceiro conselho é que você deve encarar o longo prazo como uma série infinita de curtos prazos.  Ninguém consegue ser bem sucedido no longo prazo sem ser bem sucedido, na maior parte do tempo, no curto prazo.  Eu me surpreendo ao ver como as pessoas costumam justificar suas más decisões com a noção de que elas entraram nessa para o longo prazo.  Meu primeiro sócio na Integral, John Powell, tinha uma linha de pensamento brilhante.  Ele dizia que aprendeu, no negócio de corretagem de varejo, que o conforto da maioria das pessoas vem das posições de ações que não apresentam nenhuma possibilidade de ganho imediato, porque assim elas não precisam tomar uma decisão.  Quando a ação está dentro do valor de mercado, elas se preocupam se deveriam vendê-la;  se perderem muito dinheiro, sabem que precisam vendê-la; mas, se estiverem perdendo só um pouco de dinheiro, eles dormem bem.  Essa não é uma boa situação.  Eu acredito em ter um plano de investimentos de muito longo prazo.  Acho que, se você se decidir a fazer um investimento - em qualquer ação ou título - , deve decidir quanto investir de seu comprometimento total e fazer o investimento em lotes do mesmo tamanho ao longo de um período de tempo.  Se você estiver investindo 10 mil dólares, seria melhor investir em dez lotes de 1.000 dólares ou cinco lotes de 2.000 dólares, espalhados ao longo de um determinado período.  Essa abordagem o protege de amplas flutuações.




Eu acredito que as tendências mais importantes em qualquer setor, incluindo meu principal setor de investimentos, o da tecnologia, tendem a durar uma década ou mais.  Não há necessidade de se apressar.  Na verdade, a pressa faz com que você cometa erros com muito mais frequência do que obtém recompensas.  Em 1987, quando o mercado quebrou, não havia muitas lições a ser aprendidas, já que isso afetou por igual quase todas ações.  No verão de 1990, tivemos outro período no qual as ações entraram em grande queda, mas ela não foi uniforme.  Naquela época, comprei ações de três empresas quando estava administrando o fundo na T. Rowe Price.  Aquelas ações me ensinaram lições muito importantes:  aprendi a cruel lição de que é possível perder mais dinheiro em segundos do que se ganha em anos.  Éramos um dos maiores acionistas da Oracle, que tinha aberto o capital em 1986 e vinha crescendo 100% ou mais em cada demonstração financeira.  Eles estavam realmente fixando os valores.  Era possível ver que o balanço patrimonial e o demonstrativo dos resultados estavam se deteriorando e eles ainda faziam os 100%, só por dourar a pílula.  Mas eu não suportava a idéia de perder os últimos 10% com o provável lucro futuro.  Em consequência, apesar de ter todas as informações, fiquei tempo demais no jogo.




O que aprendi ao ser um analista muito detalhista e, ao mesmo tempo, um gerente de carteira foi que os erros cometidos raramente são devidos à falta de informações corretas.  Eu normalmente erro quando não atribuo o peso adequado à informação que mais importava.  Hoje em dia, estamos em uma posição na qual várias fontes de informação, como a internet, funcionam para nivelar o campo para todos os jogadores, e raramente não se tem a informação necessária para tomar uma boa decisão de investimentos.  O desafio é colocar a informação no contexto adequado.  Se você descobrir que as ações estão se movendo por razões que não antecipou, deve se perguntar se está se empenhando o suficiente.  Você está concorrendo com pessoas que trabalham exclusivamente com isso, para as quais o investimento não é somente uma carreira, mas uma paixão.  Se estiver disposto a dedicar um tempo para suas pesquisas, você eliminará muitas, se não a maioria, das desvantagens que os investidores profissionais tiveram no passado."




ASSISTA O VÍDEO DO ROGER MCNAMEE
CANTANDO "You"
















segunda-feira, 3 de março de 2014

QUANDO O BARCO COMEÇAR A AFUNDAR , NÃO REZE. ABANDONE-O - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"

Fonte: Os axiomas de Zurique - Max Gunther











O 2º Grande Axioma falou sobre o que fazer quando as coisas vão bem. O 3º Grande Axioma é sobre como escapar quando vão mal.  

E não há a menor dúvida de que irão mal. Pode apostar. Pode contar como certo que mais ou menos a metade das suas operações especulativas irão pro brejo antes de você alcançar a linha de chegada. Nos seus palpites sobre o futuro, vai errar a metade; a metade das suas opiniões sobre as forças econômicas serão equivocadas. A metade dos conselhos que ouvirá serão maus.

A metade das suas esperanças estão condenadas a não se realizarem Mas, anime-se. Isto não significa que vai perder um dólar para cada dólar que vier a ganhar. Se fosse assim, o negócio todo perderia o sentido. Isto só é verdade com os incompetentes. Jogadores e especuladores bemsucedidos transam melhor as coisas. Em grande parte, progridem porque sabem o que fazer, sem hesitações, quando a maré se volta contra eles.




Saber sair de uma situação complicada talvez seja o mais raro dos dotes especulativos. É raro por ser difícil de adquirir. Requer coragem, e um tipo de honestidade afiada como uma navalha. É uma habilidade que diferencia homens e mulheres de meninos e meninas. Há quem diga que é a peça mais importante do instrumental de um jogador ou de um especulador.

Uma pessoa que concordaria com isto é Martin Schwartz, ex-analista de valores que hoje se dedica em tempo integral a especular na bolsa de mercadorias para entrega futura. A maioria dos profissionais prefere dizer que “opera” no mercado, mas nós continuaremos com a nossa palavrinha: especulação. Em 1983, Schwartz aumentou espetacularmente o seu capital de risco em 175%. Foi o vencedor do Campeonato Americano de Operadores, uma disputa anual patrocinada pelas corretoras da Bolsa de Mercadorias de Chicago - e ficou bem mais rico. Perguntando sobre como obter resultados tão bons, Schwartz, ao responder ao New York Times, foi direto ao talento que considera essencial: “Vou lhe dizer como me tornei vencedor: aprendi a perder.”

É mais ou menos a mesma coisa que se ouve nos cassinos. Quando perguntado sobre o que caracteriza um bom jogador de pôquer, Sherlock Feldman respondeu: - Saber passar.  O amador fica na esperança de que suas cartas saiam, ou reza para que isso aconteça; o profissional estuda o meio de se safar quando não saem. Esta, provavelmente, a grande diferença entre os dois. Ajuda a explicar porque o profissional não tem dificuldade em viver do jogo, enquanto o amador quebrará a cara sempre que sentar à mesa para enfrentar profissionais.




A incapacidade de abandonar rapidamente um barco que esteja afundando provavelmente custou mais dinheiro a especuladores que qualquer outro erro. É responsável, com toda certeza, pelo derramamento de mais litros de lágrimas do que qualquer outro acidente financeiro. Susan Garner, que não faz muito demitiu-se do Chase para dedicar-se profissionalmente às especulações, diz:  - Ficar preso numa operação perdedora deve ser a maior dor que o dinheiro é capaz de provocar.

Hoje Susan faz muito sucesso, mas nem sempre foi assim. Custou a aprender as técnicas - principalmente a aprender a perder. Numa de suas primeiras operações, ele recorda, pagou 2.000 dólares por uma participação mínima num projeto imobiliário numa cidadezinha. Era um edifício comercial, numa comunidade meio adormecida que parecia prestes a despertar. Havia um projeto para passar uma importante rodovia federal pela região, beirando a tal cidadezinha. Graças à projetada estrada e a certos outros fatores econômicos e geográficos, todo mundo esperava que a cidade se transformasse em importante pólo comercial. Quando isto ocorre, os imóveis naturalmente costumam disparar - inclusive os prédios de escritórios. A especulação de Susan Garner parecia promissora.




Mas, como costuma acontecer, o futuro foi adiado. O projeto da rodovia teve problemas de financiamento.  Cada vez que se falava dele era para anunciar novos adiamentos. A princípio, as autoridades informavam que estava adiado por um ano, mais ou menos; depois eram dois, três, cinco anos. Finalmente, encontrou-se um funcionário valente, capaz de falar a verdade: honestamente, não sabia quando, nem se a estrada seria mesmo construída.

A cada adiamento anunciado, a febre imobiliária arrefecia um pouquinho. O pequeno investimento de Susan Garner não tinha cotação diária nos jornais, mas ela não precisava de números exatos para saber que estava ficando mais pobre. Pensou em liquidar.

- Haveria quem comprasse a minha parte - diz ela. - Mas eu teria de vender com prejuízo, e não tive coragem.  Da primeira vez, quando anunciaram o adiamento de um ano, tentei me convencer de que estava tudo bem, que era só esperar um pouco, não passava de um contratempo. Bastava eu ter paciência, que logo a minha parte recuperaria o seu valor.

Aí vieram as notícias de dois e três anos de adiamento. Um dos maiores condôminos do prédio, um advogado, ofereceu 1.500 dólares pela parte de Susan Garner. Ela não conseguiu engolir a idéia de perder 500 dólares - um quarto do seu capital - , e recusou. O camarada chegou a 1.600 dólares, e ela não vendeu.

À medida que os adiamentos eram anunciados, o preço afundava. O advogado reapareceu, oferecendo 1.000 dólares. Pouco depois, já eram só 800. Mais o preço baixava, mais Susan Garner sentia-se presa à sua pequena participação.




- Já não se tratava nem de esperança de recuperar os meus 2.000 dólares - diz ela. - Eu estava uma fera comigo por não ter aceitado os 1.500 que me haviam oferecido. E lá ficava eu, na esperança de que a situação melhorasse, para não fazer um juízo tão mau da minha competência. Quanto mais caía o preço, mais teimosa eu ficava. Preferia a morte a ter de vender o meu investimento de 2.000 dólares por uns míseros 800!

Enquanto seu capital ficava preso naquele mau negócio, a atenção de Susan era atraída por outras especulações. Queria dar uma volta pelo mercado de antigüidades, principalmente mobiliário; as ações a atraíam.

Um amigo lhe ofereceu, por uma pechincha, um álbum de selos do século XIX, que acabara de herdar, e ela se sentiu inclinada a fazer negócio. O problema era que os 2.000 dólares presos naquele prédio eram o grosso do seu capital de risco. Até liberá-los, mal podia se mexer.

- Resolvi, finalmente - conta -, que era ridículo deixar meu dinheiro congelado daquele jeito.  Susan vendeu a sua cota por 750 dólares. E foi assim que veio a aprender a lição contida no 3º Grande Axioma. Quando o barco começa a afundar, abandone-o.

Atenção às palavras: quando começa a afundar. Não espere até a metade estar submersa. Não reze, não espere nada. Não cubra os olhos e fique ali tremendo. Olhe em volta e vela bem o que está acontecendo. Estude a situação. Pergunte-se se o problema que vê crescendo tem solução. Procure indícios confiáveis e tangíveis de que as coisas estão melhorando; não vendo nada no gênero, comece a agir, sem mais delongas. Calma e decididamente, antes que o pessoal todo entre em pânico, abandone o barco e salve a sua pele.




Nos casos de mercados com pregão diário, ações, mercadorias a futuro etc., este conselho pode ser traduzido em números. A regra de ouro de Gerald Loeb dizia que se deve vender quando o preço de uma ação cair entre 10% e 15% em relação ao preço mais alto alcançado enquanto em seu poder. Não importa se, a essa altura, você estiver perdendo ou ganhando. Frank Henry se permitia margem um pouco maior, entre 10% e 20%. A maioria dos especuladores tarimbados opera com regras muito parecidas. Em todos os casos, a idéia é cortar os prejuízos cedo. Aceite pequenas perdas, para se proteger das grandes.

Para exemplificar, suponhamos que você comprou um papel a 100 dólares. O negócio começa logo a dar errado, e o preço cai para 85 dólares. Neste caso, o preço mais alto enquanto a ação esteve com você foi o da compra, 100. Você está 15% abaixo desse nível, de forma que a regra manda vender. Não enxergando bons indicadores de que vai melhorar, abandone o barco.




Ou, tomemos um caso mais agradável. Você compra uma ação a 100, e ela salta para 120. Pronto, você acha logo que está para ficar rico. Que dia mais lindo! Um problema inesperado, porém, atinge a empresa, e a sua ação volta aos 100. O que fazer? A esta altura, você já sabe como agir. Na ausência de ponderáveis razões para acreditar que as coisas vão melhorar, venda.

Saber agir, porém, é só a metade da batalha. Quando tentamos fazer como manda o 3º Grande Axioma, três obstáculos costumam erguer-se à nossa frente. Para alguns especuladores, são grandes, intimidantes obstáculos.

Você tem de estar psicologicamente preparado para enfrentá-los. Mantendo a cabeça fria, conseguirá superá-los O primeiro obstáculo é o medo de arrepender-se - basicamente o mesmo medo de que tratamos no 2º Grande Axioma. Nesta caso, o medo é de que perdedores virem ganhadores depois de você ter abandonado o barco.

Isto acontece, e dói. Por exemplo: você comprou um pouco de ouro a 400 dólares a onça. digamos, e ele despenca para 350. Não enxergando bons motivos para ficar, você resolve absorver o prejuízo de 12% e vende.

Nem bem se completa a transação, explodem seis novas guerras, quatro países sul-americanos declaram moratória, os países da OPEP dobram o preço do petróleo, as bolsas de valores despencam em todo o mundo, e quem tem dólares sobrando corre a proteger sob o metal amarelo. O preço dispara e bate 800 dólares a onça. Ai!  Pois é, dói demais. Cedo ou tarde, é provável que algo assim lhe aconteça. Não há como evitar. Essas reviravoltas da fortuna, porém, não acontecem todo dia. Com muito maior freqüência, uma situação ruim permanece ruim, pelo menos por algum tempo. Os problemas que costumam causar quedas de preços em ativos especulativos - ações, mercadorias, imóveis etc. - tendem a perdurar. Surgem lentamente, e vão-se com a mesma lentidão. Quase sempre, o correto é escapar assim que o preço mostra a primeira queda significativa.




Há certas situações na vida, é verdade, nas quais o certo pode ser esperar passar o mau tempo. Quando há dinheiro no meio, porém, é muito raro. Se você deixar o dinheiro se entalar numa operação errada, e o problema perdurar, talvez se passem anos até poder usá-lo de novo. Seu capital fica preso, quando deveria, isto sim, estar trabalhando para você, correndo atrás de outros negócios bons e lucrativos.

O segundo obstáculo à implementação do 3º Grande Axioma é a necessidade de se abrir mão de parte de um investimento. Para alguns, é uma dor insuportável. Se valer de consolo, porém, posso lhe garantir que, com a prática, fica menos doloroso.




Você está especulando com moedas, suponhamos, e apostou 5.000 dólares na lira italiana. Seu palpite furou, a taxa de câmbio voltou-se contra você, e o que dá para salvar do seu capital não passa de 4.000 dólares. Como não há indícios decentes de que a coisa vai melhorar para o seu lado, o mais provável é que deva cair fora. Só que estará abandonando 1.000 dólares. E é isto que dói.




Para alguns, a dor é tanta que não conseguem. O instinto do pequeno especulador típico manda que ele agüente as pontas, na esperança de, um dia, recuperar aqueles 1.000 dólares. Se você não dominar esse instinto, jamais passará de um pequeno especulador típico, podendo mesmo chegar a ser um especulador falido. O jeito de recuperar os seus 1.000 dólares é tirar 4.000 do investimento que azedou, e pô-los em algo bom e produtivo.

Se você especula dando certa garantia, a incapacidade de abandonar parte de um investimento vira um problema duplamente grave. Usando dinheiro emprestado para aumentar o seu poder de fogo, a sua posição especulativa começa a ficar parecida com o mais deliciosamente torturante jogo do mundo - o pôquer.




Vale a pena examinar um pouco essa semelhança. Na realidade, se você não conhece, terá grande vantagens em estudar o jogo de pôquer. Participe de alguns joguinhos de fim de semana, ou organize alguns entre amigos, com cacife baratinho. O pôquer serve para testar algumas características do ser humano em condições extremas.




Há muito que aprender nesse jogo - sobre especulações e acerca de si mesmo.  Quando se especula com recursos próprios - ou seja, quando não se usa dinheiro emprestado -, a vida é relativamente simples. Compram-se algumas ações, digamos, e paga-se à vista. Não há necessidade de fazer qualquer outro investimento, além deste. Se o preço das ações despencar e você ficar plantado, não querendo abrir mão do que quer que tenha perdido, ninguém tem nada com isso. A única coisa que acontece é você ficar ali sentado, vendo o seu dinheiro encolher. Mas ninguém lhe pedirá para pôr mais dinheiro na operação.

Agora vejamos o pôquer. No decorrer da mão, se quiser continuar na parada, você tem de ficar aumentando o seu investimento. Digamos que esteja pedindo flush. As probabilidades são contra você; provavelmente é uma mão perdedora. Mas já pôs muito dinheiro no pote, e não consegue convencer-se a sair. Contra tudo o que lhe dita o bom senso - além do 3º Grande Axioma -, resolve continuar.




Esta, porém, não é uma especulação do tipo comum, à vista. Aqui trata-se de pôquer. Para prosseguir é preciso parar. Se quiser ver a carta seguinte, isso tem um preço. O jogo exige que, para proteger dinheiro velho, invista-se dinheiro novo sem parar.  Especulador oferecendo certa garantia dá uma angústia parecida. Para adquirir um papel, o corretor lhe financia uma determinada percentagem do seu valor. Essa percentagem financiada é determinada por regulamentos do governo, regras da própria Bolsa e do seu corretor. Para garantir o financiamento, as ações ficam hipotecadas com o corretor. Se cair o preço à vista do papel, cai junto o seu valor de garantia, é óbvio. O que pode colocar você, automaticamente, como infrator das normas que regem as operações com garantia.

Perceberá, então, a temida “chamada de garantia” - uma comunicação amistosa, porém inflexível, do seu corretor, oferecendo-lhe duas alternativas igualmente penosas: ou você comparece com dinheiro para cobrir garantia dada, ou ele vende a sua posição.

No fundo, você está exatamente na situação do jogador de pôquer. Se não quiser abrir mão de parte do seu investimento, tem de pôr dinheiro novo no pote.  Geralmente, a reação mais correta é a disposição de abandonar o barco. Se não sentir, e não for capaz de cultivar essa disposição, especulações de qualquer espécie serão difíceis para você; com garantia, então, podem ser desastrosas.




O terceiro obstáculo à implementação do 3º Grande Axioma é a dificuldade de admitir que você errou. A reação das pessoas a esse problema varia muito. Para alguns, é só uma bobagem; para outros é o maior dos obstáculos. Mulheres parecem reagir melhor que homens, os mais velhos melhor que os jovens. Não tenho explicação para isto, não conheço quem tenha, nem mesmo entre os que dizem ter. O fato é que, para muitos, é um grande obstáculo, e vamos parar por aí. Se achar que vai atrapalhá-lo, o jeito é um pouco de auto-análise, e tratar de achar o jeito de lidar com o problema.

Você faz um negócio, dá errado e o jeito é cair fora. Para isto, porém, tem de admitir que errou. Tem de admiti-lo para o seu corretor, o seu banqueiro ou para quem quer que seja a pessoa com quem está operando; talvez para a sua mulher e outros membros da família, e, pior que todos, quase sempre, para você mesmo. Tem de se postar diante do espelho, olhar-se bem nos olhos, e dizer: “Errei”.

Para alguns, é intoleravelmente penoso. O perdedor típico tenta escapar a essa punição e, em conseqüência, costuma ser apanhado pisando em falso, em maus negócios. Quando compra alguma coisa cujo preço passa a cair, ele se agarra ao que comprou na esperança de que fatos futuros venham a lhe dar razão. “Essa queda é só temporária”, pensa - e talvez até acredite nisso. “Eu estava certo ao entrar nesta especulação. Seria tolo sair só por causa deste mau começo. Vou esperar. O tempo provará como eu sou sabido!”

O seu ego já está garantido. A necessidade de dizer que estava errado foi contornada. Ele pode continuar acreditando que é sabido.

A sua conta bancária, porém, contará a verdadeira história. Dali a anos, quem sabe, o investimento é até capaz de dar a volta e retornar ao seu valor original, ou mesmo se valorizar, e ele então, exultante, dirá, sentindo-se vingado:

- Eu sabia que tinha razão!

Mas será que tinha mesmo? Os anos todos que o dinheiro passou estagnado poderia estar trabalhando.  Poderia ter duplicado, até mais. Em vez disso, está onde estava quando o triste episódio começou. Recusar-se a aceitar que está errado é a mais errada das reações possíveis.



















sábado, 1 de março de 2014

OLHA O LADRÃO !






OLHA O DETRAN AÍ GENTE  
















ENTRE NO NEGÓCIO SABENDO QUANTO QUER GANHAR - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"

Fonte: Os axiomas de Zurique - Max Gunther








Este 3º Axioma Menor visa a ajudá-lo a resolver o sempre difícil e às vezes paralisante problema de saber quanto é o bastante.

Conforme ficou visto, a ganância é a principal razão da dificuldade desta decisão. Quanto mais se tem, mais se quer. É da natureza do ser humano.

Há outro fator, porém, que contribui muito para essa dificuldade da maioria, talvez de quase todo mundo; é o fato peculiar de que, se uma especulação dá certo e a fortuna do especulador cresce, a posição recém-atingida vira posição inicial.

Digamos que você começa com 1.000 dólares. Aplica-os dando certa garantia, numa especulação com prata.  O palpite funciona e, um ano depois, você está com 2.000 dólares. Dobrou o seu dinheiro.
Beleza. Se conseguisse isso todo ano, breve estaria milionário. O problema, porém, é que não parece ser a beleza que é. Pelo contrário: de repente você já está achando que esse dinheiro é seu por um mérito qualquer. A tendência é que passe a encará-lo assim, principalmente se o ganhou devagarinho, ao longo de um ano, e não uma bolada, de uma só vez. Em lugar de dar pulos e dizer, “epa, dobrei a minha grana!” ou “olha só, estou com uma milha que não tinha antes!”, a sensação é de que sempre teve aquele total.

Os 2.000 não parecem ser a sua posição ao final. A sensação é que se trata de uma nova posição inicial. Graças a isto, não vai ser fácil cair fora de tal operação.

Se você nunca especulou, nem sequer jogou um pôquer baratinho, isto pode parecer confuso. Também pode parecer um probleminha curioso, capaz de afligir outras pessoas, mas que com você não acontece. É compreensível que pense assim, mas está sendo otimista demais. Chega uma hora em que esse problema aflige praticamente todo mundo. Existe uma remotíssima chance de que você seja imune. O negócio é aprender a enfrentá-lo quando se apresentar.




São inúmeras as atividades humanas nas quais as posições inicial e final são claramente visíveis, percebidas e compreendidas. No atletismo, por exemplo. Quando um corredor chega ao final dos 1.500 metros, sabe que é o fim. Não existe a questão de correr outros 1.500 m, a fim de ganhar duas medalhas em vez de uma. As energias estão exauridas. A fita foi rompida, o placar já registra o vencedor. Acabou-se. É hora de ir para casa descansar, reunir energias para a próxima corrida.




No mundo do jogo e das especulações, são poucos os pontos finais assim nítidos. Jogos de pôquer têm fim, é verdade. Os hipódromos fecham ao final do dia. De longe em longe, uma operação de Bolsa pode encerrar-se quando a empresa na qual se investiu é absorvida por uma empresa maior e deixa de existir. Na maioria dos casos, porém, é você mesmo que vai ter de decidir quando basta.

Isto é muito, muito difícil de fazer, tão difícil que apenas uma minoria aprende. Na realidade, a maioria nem sequer chega a perceber a necessidade de fazê-lo. Mas é uma técnica que você tem de dominar. É peça essencial do equipamento de um bom especulador.

Seu final - seu basta - é quando você cai fora, dá um suspiro de alívio e relaxa. Como o corredor ao final da prova, você se joga na grama, ao lado da pista, e pensa: “Tudo bem, acabou. Cumpri o meu objetivo inicial. Fiz o que vim fazer. Ganhei a minha medalha. Vou ficar aqui um pouquinho e saborear a vitória.” De um jeito ou de outro, você chegou ao final.

Como, porém, alcançar um final assim, tão definido, num mundo onde não há fitas de chegada nem gongos marcando o fim de cada round, principalmente quando cada posição atingida parece um novo ponto de partida?

Vamos supor que você comprou um punhado de ações da Union Carbide. Ou investiu em ouro, ou na compra de sua casa. Essas não são corridas que terminam num futuro previsível. São corridas abertas. Não há uma distância arbitrada. Você mesmo, sozinho, é que tem que decidir quando rompeu a fita de chagada. A corrida acaba quando você disser que acabou.




O 3º Axioma Menor ensina a alcançar esse final. Antes de começar a corrida, estabeleça onde é a linha de chegada.  Isto facilita devolver as fichas e embolsar o dinheiro? Não, claro que não. Mas fica muito mais fácil do que entrar em cada especulação com a idéia de que é uma corrida sem fim.




Voltemos ao exemplo inicial. Você tem 1.000 dólares, e acha que prata é uma boa especulação. Diz a si mesmo: “Vou entrar nisto com o objetivo de...” Mas, seja qual for o seu objetivo, não busque nada muito grandioso, seja modesto. Duplicar, alcançar 2.000 dólares em dois anos, digamos. Ou 1.500 em um ano. Esta é a linha de chegada. Ao longo da corrida toda, não a perca de vista. E quando a alcançar, caia fora.  

Vejamos como isto o ajuda, do ponto de vista psicológico. Ali está você, na linha de partida, com 1.000 dólares no bolso, na esperança de que virem 2.000. Não dá para achar que os 2.000 estão no papo, porque ainda não estão, e você sabe muitíssimo bem que podem nunca estar. A essa altura do campeonato, na linha de partida, 2.000 dólares parecem um prêmio pelo qual vale a pena brigar. Não parecem um novo ponto de partida. Parecem a chegada.

À medida que a operação vai andando, mantenha viva essa sensação. Se e quando atingir o objetivo, a menos que haja razões indiscutíveis, óbvias, para transformar a linha de chegada em novo ponto de partida, faça um carinho na sua sorte e caia fora. 




O que podem ser essas “razões indiscutíveis, óbvias” para se continuar numa corrida cujo plano era terminar?  Esse tipo de razão só pode ocorrer por alguma mudança drástica, imprevisível, nos fatos e circunstâncias envolvendo a sua operação. Uma simples mudancinha não é suficiente: tem de ser um cataclisma. Surgiu uma situação inteiramente nova, que não apenas lhe dá esperança, mas praticamente certeza de que o período de ganhos prosseguirá.

Vamos supor, por exemplo, que você especula em mercadorias, está comprando concentrado de laranja a futuro, e atingiu a sua linha de chegada. Cumprindo o que prometeu a si mesmo, está prestes a vender e pôr o lucro no bolso. Ouve, então, que uma geada fora de hora acabou com grande parte da safra de cítricos da Flórida.

Em casos assim, pode ser uma boa idéia ficar na corrida ao menos um pouco mais, e ver o que acontece.  Situações como essa, porém, são raras. A maior parte do tempo, a fita de chegada só quer dizer uma coisa: acabou.

Uma boa maneira de reforçar essa sensação de “final” é estabelecer alguma forma de premiação para si próprio. Se quiser, que seja uma medalha. Antecipadamente, prometa-se que, se e quando alcançar o objetivo preestabelecido, pegará parte do lucro e comprará um carro novo, um casaco de peles, um banjo de cinco cordas, o que lhe der prazer. Ou que pegará a sua mulher, ou alguém querido, e juntos jantarão o que houver de mais ridiculamente caro no restaurante mais caro da cidade.




Com isto, o final associa-se a algum fato real, a algum objetivo concreto. Muitos especuladores, mesmo alguns curtidos veteranos da brincadeira, empregam esse estratagema psicológico. Frank Henry costumava presentear-se com ostras e churrasco de filé mignon à americana - coisas que adorava e que não eram fáceis de encontrar na sua Suíça natal. Jesse Livermore, que às vezes tinha grandes dificuldades em encerrar sua especulações, a cada vitória presenteava-se com uma nova peça para a sua coleção de antigas canecas de barbear.  Mary, a amiga de Gerald Loeb, dava-se um vestido ou um casaco.

Considerando-se os volumes de dinheiro arriscados, essas recompensas podem parecer triviais; o importante, porém, é a sensação de final que mesmo esses prêmios aparentemente bobos podem produzir. Se funcionar com você, então é esse o caminho a seguir.

Não são poucos os solenes assessores de investimentos que franzem a testa a essa prática. Por motivos que ninguém jamais foi capaz de explicar direito, desde o século XVIII existe a crença de que dinheiro de investimento deve ser inviolável. Não se deve gastá-lo, especialmente em frivolidades como uma dúzia de ostras ou um casaco de peles. Há até uma expressão para definir esse sacrilégio: esbanjar o capital. Que pouca vergonha!

Mas, como gostava de perguntar Geraldo Loeb:
- Por que você se dá a tanto trabalho para ganhar dinheiro? Para que serve? Para ficar olhando?  Loeb, provavelmente, foi o primeiro corretor a dizer, publicamente - e, parece, sem se envergonhar -, que o investidor/especulador deve gastar parte dos seus ganhos. Na realidade, Loeb chegava a ponto de afirmar que, num ano bom, alcançada ou não a linha de chegada, parte dos lucros deveria ser gasta.




Dinheiro de investimento é dinheiro como outro qualquer, chamava ele a atenção. Não tem nada de ficar segregado, com um cartaz: “Não tocar”. É claro, existem dezenas de boas razões para você sentar no seu dinheiro. É uma grande ajuda na velhice; numa emergência, é um belo pára-quedas; é algo para os filhos herdarem; é bom saber que está no cofre, e por aí afora. Tudo muito bem. Só que ele também pode servir para lhe proporcionar um pouco de diversão. Tirar um pouquinho de vez em quando, especialmente numa posição final, é muito melhor do que geralmente se imagina.

É por isto que eu o aconselharia a manter o seu capital especulativo o mais líquido que puder, bem acessível. Isto se faz melhor em algumas especulações do que em outras. Se o seu dinheiro está trancafiado num imóvel ou numa coleção de moedas raras, é capaz de permanecer trancafiado até aparecer um comprador. Um número cada vez maior de bancos, porém, começa a oferecer empréstimos sobre ativos líquidos como esses, a juros perfeitamente razoáveis. Talvez você possa conseguir algo assim.

Com outras especulações, o objetivo de liquidez vem se tornando cada vez mais fácil. Nos últimos anos, bancos e corretoras que operam em ações, opções, mercadorias e metais preciosos vêm criando para os seus clientes tipos altamente inovativos de contas correntes. Eu, por exemplo, mantenho todo o meu capital destinado a ações num estranho cesto inventado pela minha corretora, a Merril Lynch, chamado de “conta de fundos administrativos”. É uma combinação de várias coisas: em parte, é uma conta normal de depósito de ações com a qual compro e vendo ações da maneira tradicional; mas também é conta corrente, contra a qual emito cheques, ou saco com o meu cartão de crédito. A conta paga tudo. Isto é que chamo de liquidez imediata.

E é perfeito para se celebrar uma posição final. Quando atinjo uma dessas posições, minha mulher, eu e o meu cartão de crédito saímos por Nova York, para um fim de semana de luxo e pecado.



 
Estratégia Especulativa

Vamos, então, repassar o que nos ensina o 2º Grande Axioma.  Diz, “Venda cedo demais”. Não espere a alta atingir o pico. Não espere que um período de ganhos prossiga indefinidamente. Não teste demais a sua sorte. Parta do pressuposto de que tais períodos são breves. Quando atingir uma linha de chegada previamente estabelecida, liquide a posição e caia fora. Faça-o ainda que tudo pareça cor-de-rosa, mesmo que continue otimista e que todo mundo em volta esteja dizendo que a alta continuará rugindo sem parar.

A única razão para não o fazer será algum fato novo, cujo surgimento praticamente garanta que você
continuará ganhando durante algum tempo.

Exceto em circunstâncias assim inusitadas, habitue-se a vender cedo demais. E, uma vez vendido, não se atormente se a alta continuar sem a sua presença. É muito provável que ela não vá durar muito. Se durar, console-se pensando nas tantas vezes em que, tendo vendido cedo demais, protegeu ganhos que, de outra forma, teriam ido por água abaixo.