terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

SÓ APOSTE O QUE VALE A PENA - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"


Fonte: Os axiomas de Zurique - Max Gunther










"Um antigo clichê diz que “só se deve apostar o que se possa perder”.

Ouve-se isto em Las Vegas, em Wall Street e onde quer que se arrisque dinheiro em busca demais dinheiro, Lê-se a mesma coisa em livros que oferecem conselhos sobre investimentos e administração financeira do tipo convencional. É tão repetido, em tantos lugares, que acabou adquirindo uma aura de verdade, exatamente como os clichês psicanalíticos sobre manter a calma.

Antes, porém, de incluí-lo no seu instrumental especulativo, é melhor estudá-lo com cuidado.  Como a maioria das pessoas o interpretam, é uma fórmula que praticamente garante maus resultados.  O que será uma soma “que se possa perder”? A maioria talvez a definisse como “uma soma que, se eu perder, não vai doer”. Ou, “uma soma que, se eu perder, não representará diferença significativa no meu bem-estar financeiro”.  Por outras palavras, 1 ou 2 dólares, ou 20 dólares, ou algumas centenas. Essas são as quantias que a maior parte da classe média consideraria “perdível”. Em conseqüência, é com esse tipo de dinheiro que a maioria da classe média especula, se é que o faz.

Mas, veja bem: se apostar 100 dólares e dobrar o dinheiro, você continua pobre.  A única maneira de derrotar o sistema é apostando quantias que valham a pena. Claro, isto não significa que deve jogar com somas que, perdidas, levariam você à bancarrota. Afinal de contas, há o aluguel a pagar, as crianças precisam comer. Mas significa, isto sim, que tem de superar o medo de se machucar.  Se a quantia for tão pequena que a sua perda não represente diferença significativa, o mais provável é que tampouco trará ganhos significativos. A única maneira de ganhar muito apostando pouco é correr atrás de uma possibilidade em milhões. Você pode, por exemplo, comprar um bilhete de loteria por 1 dólar e ganhar 1 milhão.




É gostoso sonhar com isto, mas, de tão grandes, as probabilidades contra são de deprimir.  No curso normal de uma jogada especulativa, você tem que começar disposto a se machucar, nem que seja um pouquinho.  Talvez prefira começar modestamente e, à medida que for ganhando experiência e confiança na solidez da sua psique, ir aumentando a dosagem de preocupação. Cada especulador acaba encontrando o seu próprio nível de tolerância a riscos. Alguns, como Jesse Livermore, apostam com tal ousadia que são capazes de quebrar com espantosa rapidez - o que, conforme já vimos, com Jesse ocorreu quatro vezes. O seu nível de risco era tão elevado que assustava os outros especuladores, inclusive os mais calejados. Frank Henry, cujo nível de risco era mais baixo, costumava analisar as jogadas de Jesse e chegar em casa balançando a cabeça, cheio de espanto:

- O homem é louco! - dizia. 

Certa vez, ele calculou que, se todas as suas especulações lhe explodissem na cara de uma vez, num único e imenso cataclísma, quando a poeira assentasse ele estaria valendo mais ou menos a metade do que valia ao começar.  Perderia 50 %. De outro ponto de vista, preservaria 50 %. Era esse o nível de tolerância à preocupação que ele escolhera.  Outro que acreditava em apostas que valessem a pena era J. Paul Getty, um dos reis do petróleo. A sua história é instrutiva. A maioria das pessoas parece pensar que ele herdou a sua imensa fortuna do pai, ou que, pelo menos, herdou o começo dela. A verdade é bem outra. J. Paul Getty fez fortuna sozinho, começando como um especulador comum, de classe média, como você ou eu.

Ficava irritadíssimo quando diziam que tinha recebido a vida numa salva de prata.  - De onde vem essa idéia? - certa vez ele gritou para mim, exasperado. (Havíamos nos encontrado na sede da Playboy. Ele era acionista da empresa, durante alguns anos foi editor de economia da revista e nela publicou 34 artigos. Era a sua maneira de relaxar, quando não estava ganhando rios de dinheiro.)

Finalmente, Getty concluiu que era a imensidão da sua fortuna que fazia quase todo mundo pensar precipitada e erradamente. As pessoas, evidentemente, achavam difícil acreditar que um homem sozinho pudesse começar com uma soma modesta, padrão classe média, e transformá-la em 1 bilhão de dólares.  Pois foi exatamente o que J. Paul Getty fez. A única vantagem que teve sobre você ou sobre mim foi que começou no início do século, quando tudo custava mais barato e não existia imposto de renda. Além de alguns modestos empréstimos, não levou um tostão do pai, frio e intimidante. E os empréstimos foram cobrados nos prazos estabelecidos, não valendo desculpas de qualquer natureza. A coisa mais valiosa que Getty recebeu do pai foi instrução, não dinheiro.

George F. Getty era um advogado de Minneapolis, especulador autodidata, que acertou na mosca na corrida do petróleo em Oklahoma, no começo do século, e criou regras que se parecem um pouco com alguns dos Axiomas de Zurique. Era um homem sério, de inabaláveis convicções plantadas na Ética do Trabalho. Como J. Paul escreveria depois, na Playboy: “George F. não admitia a idéia de que o filho de um homem rico devesse ser mimado, estragado, ou que recebesse dinheiro de presente quando já tivesse idade bastante para ganhar sua própria vida.” Assim, J. Paul teve de sair em busca de sua própria fortuna.

No começo, achou que queria ser diplomata ou escritor, mas a paixão do pai pela especulação estava no seu sangue. Foi atraído para Oklahoma, para o petróleo. Trabalhando nos campos, juntou algumas centenas de dólares. À medida que cresciam suas economias, crescia também a sua vontade de arriscá-las.  Foi então que ele demonstrou compreender o princípio básico do 1º Axioma Menor. Aprendera-o com o pai:  Só aposte o que valer a pena.




Com 50 dólares, ou até menos, poderia ter se associado a algum negócio. Não faltavam dessas oportunidades. Os campos de petróleo andavam cheios de independentes e de grupos de especuladores que precisavam de dinheiro para continuar perfurando poços. Por uns poucos dólares, vendiam parcelas mínimas das suas operações a qualquer um. Mas Getty sabia que com essas participações minúsculas não ficaria rico nunca.  Saiu atrás de coisa maior. Perto da Vila de Stone Bluff, encontrou um especulador oferecendo 50% de um direito de prospecção sobre uma área que Getty achou promissora. Resolveu arriscar. Ninguém ofereceu mais, e J. Paul Getty, assim, acabava de ingressar oficialmente no ramo do petróleo.  Em janeiro de 1916, o primeiro poço-teste da área mostrou-se um sucesso: mais de 700 barris/dia. Pouco depois, Getty vendeu a sua parte por 12.000 dólares, e foi desse modo que a sua fabulosa fortuna começou.  - Claro que tive sorte - diria ele, anos mais tarde, recordando a sua primeira jogada. - Podia ter perdido. Mas, mesmo que isso houvesse acontecido, não teria modificado a minha convicção de que aquele era o risco a correr. Assumindo tal risco (e não era pequeno, devo admitir), eu estava me dando a possibilidade de alcançar algo interessante. Possibilidade, veja bem, esperança. Se houvesse recusado a oportunidade, não teria tido a esperança.





Ele ainda acrescentou que, se tivesse perdido, não teria sido o fim do seu mundo. Simplesmente voltaria a cavar algum dinheiro, e tentaria de novo.  - Me parecia, então, que eu tinha muito mais a ganhar do que a perder - recordaria Getty. - Se ganhasse, seriam várias maravilhas juntas. Perdendo, doeria, mas não lá essas coisas. O caminho a tomar parecia claro. O que você teria feito?"


















segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

CUIDADO COM A ARMADILHA DO HISTORIADOR - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"

Fonte: Os axiomas de Zurique - Max Gunther








" A Armadilha do Historiador é um tipo especial de ilusão de ordem. Baseia-se na crença, antiquíssima e totalmente sem fundamento, de que a história se repete. Quem acredita nisto - talvez 99 de cada 100 pessoas na face da Terra - como corolário acredita que a repetição ordenada da história permite, em determinadas circunstâncias, previsões corretas.

Sendo assim, suponhamos que, no passado, em determinado momento, ocorreu o Evento A, que foi seguido do Evento B. Passam-se alguns anos, e testemunhamos a repetição do Evento A.  - Ah-ah! - diz quase todo mundo. - Aí vem o Evento B!  Não é assim que a banda toca. Não caia nessa. Às vezes a história se repete, é verdade; com grande freqüência, porém, não se repete. Mesmo quando a repetição ocorre, jamais é de forma confiável a ponto de você poder apostar prudentemente o seu dinheiro.

Geralmente, as conseqüências da Armadilha do Historiador não costumam ser graves. ‘’Se estiverem à frente no terceiro tempo, ganham o jogo.’’ ‘’Toda vez que a gente combina se encontrar para um drinque, ela arranja um problema no escritório e chega atrasada.’’ ‘’Ninguém que perdeu a primária de New Hampishire jamais ganhou a presidência.’’ As pessoas estão sempre se deixando embrulhar nessas expectativas não confiáveis - o que é uma bobagem mas, de modo geral, não oferece perigos. Quando o seu dinheiro entra no negócio, porém, a Armadilha do Historiador se torna perigosa. Você pode acabar duro!

No ramo de assessoria financeira, a armadilha aparece em todo canto, é ubíqua. Era de crer que, tendo observado vezes sem conta que os eventos raramente ocorrem como esperam, a maioria dos assessores tivesse aprendido a evitar a armadilha. Pois é, mas a ilusão de ordem - ou, talvez, a necessidade de acreditar em ordem - é forte demais.  Existem, em Wall Street, escolas de pensamento inteiras que repousam em falácias originárias da Armadilha do Historiador. Analistas de ações e outros valores recuam no tempo até o último mercado de certos papéis, ou grupos de papéis, que conheceu uma alta explosiva, e reúnem montanhas de fatos a respeito de tudo que à época ocorria em volta. Registram que o PNB ia em alta, a taxa de juros caía, a indústria do aço tinha um bom ano, seguros não eram lá essas coisas, o time do White Sox segurava a lanterna, o presidente tinha uma tia Matilda que andava resfriada. Passam, então, a esperar que a mesma configuração de circunstâncias torne a ocorrer. E quando a portentosa constelação se apresenta, dão pulos de entusiasmo:

- Olhem só! Tudo igualzinho! Vem uma alta por aí, tão certo como dois e dois são quatro!  Pode ser que sim. Mas também pode ser que não. Frank Henry conheceu uma moça que mergulhou de cabeça na Armadilha do Historiador, e quase morreu. Era uma funcionária subalterna, mal paga, da União de Bancos Suíços. Pela morte do pai, herdou algum dinheiro, que resolveu investir a fim de subir na escala social, deixar a classe dos remediados. Frank Henry gostou da sua bravura, tomou pela moça um certo interesse de avô, e, quando ela pedia, dava-lhe conselhos.  Do que aprendera na sua vidinha bancária, interessou-se pelas operações com moedas. É um jogo de alto risco e, quando se ganha, os lucros são proporcionais. A base do jogo é a maneira inconstante como as moedas do mundo flutuam, variando os valores umas em relação às outras.




Para entrar no jogo você compra, digamos, um punhado de ienes japoneses, e paga-os em dólares. Espera que o iene se valorize em relação ao dólar. Isto ocorrendo, você sorri e descarrega os seus ienes, e recebe por eles mais dólares do que pagou. Uma vez que os valores das moedas são muito voláteis, e porque os negócios são feitos com pesadas garantias, isto é, você põe uma quantidade relativamente pequena do seu, tomando o resto emprestado do corretor, a sua alavancagem é muito grande. De um dia para o outro, dá para dobrar o seu capital; e, da mesma forma, dá para arrebentar os seus dentes financeiros, se as coisas andarem ao contrário.




Neste ramo, a maioria dos pequenos especuladores joga com algumas poucas moedas, geralmente duas apenas. Foi o que fez a nossa jovem. Julgava compreender bastante bem a inter-relação do dólar americano com a lira italiana. Frank Henry deu força quando viu que ela jogava um jogo de cada vez - uma decisão acertada para um iniciante. Começou a preocupar-se, porém, quando a viu entrando na Armadilha do Historiador.  Certo dia, a moça contou-lhe ter feito um estudo completo das altas e baixas do dólar e da lira, e sua interrelação ao longo da história. Levantamentos desse tipo podem ser úteis em qualquer situação de investimento, desde que não sejam feitos com base no pressuposto de que a história se repetirá. Infelizmente, o pressuposto da moça era o mesmo.




Segundo os seus estudos, contou ela a Frank Henry, quando o franco suíço subia, quando as relações russoamericanas esfriavam, e quando diversos outros indicadores econômicos e diplomáticos internacionais ocorriam, a lira sempre se valorizava em relação ao dólar. Ela se propunha esperar que os indicadores lhe dessem o sinal histórico, para então mergulhar de cabeça no jogo.




A essa altura, os Axiomas de Zurique ainda não se encontravam completamente formulados. Frank Henry ainda não dispunha de um rótulo competente como ‘’Armadilha do Historiador’’, com o qual identificar o que julgava ser uma falha no raciocínio dela. Fez o que pôde para dissuadi-la, mas a moça estava empolgada demais, não conseguia nem escutar. É o que acontece, quase sempre, com descobridores de novas fórmulas de ganhar dinheiro. 

- Ela achava que havia encontrado uma espécie de chave mágica - disse Frank Henry, com tristeza. - Perguntei como é que, apesar de anos e anos procurando, milhares de outras pessoas igualmente inteligentes nunca tinham encontrado nada, e ela disse que não sabia nem estava interessada em saber. Era tão grande sua excitação que, quando um rapaz a convidou para jantar num restaurante italiano, ela passou metade da noite discutindo taxas de câmbio com o maitre. 




Finalmente, acendeu-se a luz verde dos indicadores internacionais, e lá se foi ela. Tornou-se proprietária de uma montanha de liras. Que, ato contínuo, começou a encolher em relação ao dólar.  Quando o prejuízo atingiu cerca de 15% do capital, Frank Henry lhe recomendou que vendesse. Mas a ilusão de ordem era demais. A moça estava convencida de que lhe bastava esperar, que a sua fórmula acabaria funcionando. Sempre funcionara, não seria agora que não daria certo. O mercado é que estava errado!




O fato é que ela estava enxergando o mundo pelo avesso. Fórmulas podem estar erradas; o mercado nunca. O mercado é mercado, nem mais nem menos. Não faz previsões nem promessas. Está ali, e basta. Discutir com ele é como sair numa tempestade de neve, gritando que só deveria nevar no dia seguinte.  A nossa jovem discutia sem parar. O mercado internacional de câmbio recusava-se a entender. Frank Henry jamais ficou sabendo quanto ela perdeu; achou que perguntar seria uma crueldade. Mas eu garanto que, quando se desfez da sua posição em liras, tinha levado uma surra danada."














RUDOLF HESS







Rudolf Hess - 1940


Nascido de uma família de comerciantes bávaros, de mãe britânica, Hess serve sob uniforme alemão durante a Primeira Guerra Mundial. Adere ao NSDAP em 1920, quando encontra Hitler, que ajudará a escrever Mein Kampf quando ambos eram prisioneiros após o Putsch de Munique de 1923.

Hess alistou-se no 7.º Regimento de Artilharia Terrestre da Baviera no início da Primeira Guerra Mundial. Foi ferido por diversas vezes e recebeu a Cruz de Ferro de segunda classe, em 1915. Pouco antes da guerra terminar, Hess matriculou-se na força aérea como piloto-aviador, mas não chegou a combater. Deixou as forças armadas em Dezembro de 1918 com a patente de Leutnant der Reserve (Tenente de Reserva).

No Outono de 1919, Hess entrou para a Universidade de Munique, onde estudou geopolítica com Karl Haushofer, um proponente do conceito de Lebensraum ("espaço vivo "), que mais tarde se tornaria um dos pilares da ideologia do Partido Nazi. Hess juntou-se ao NSDAP em 1 de Julho de 1920, e esteve ao lado de Hitler a 8 de Novembro de 1923 no Putsch da Cervejaria, uma tentativa falhada dos nazis de tomarem o controlo do governo alemão. Durante o tempo de prisão devido ao golpe, Hess ajudou Hitler a escrever a sua obra, Mein Kampf, que se tornou numa das fundações da plataforma política do NSDAP.

Depois da tomada de poder nazi em 1933, Hess foi designado para Delegado do Führer do NSDAP, e recebeu um cargo no gabinete de Hitler. Passou a ser o terceiro homem mais poderoso da Alemanha, atrás de Hitler e Hermann Göring. Para além de aparecer em manifestações e palestras em nome de, Hess redigiu grande parte da legislação, incluindo as Leis de Nuremberg de 1935, as quais retiravam os direitos dos judeus na Alemanha, e que estiveram na origem do Holocausto.

Torna-se mais tarde secretário particular de Hitler, ascendendo à terceira posição na Alemanha Nazista, após Hitler e Hermann Göring.

Hess teve uma posição privilegiada como adjunto de Hitler nos primeiros anos do regime nazista, mas foi sendo posto de lado pouco a pouco durante os anos 30, à medida que Hitler ganhava mais poder. Essa tendência a marginalizar seu papel acentuou-se durante os primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, que focalizou toda a glória popular nas outras personalidades próximas de Hitler: Hermann Göring, Joseph Goebbels e Heinrich Himmler. Ele foi, no entanto, nomeado membro do Conselho de Defesa do Reich em 1939, destinado assim a ser o sucessor de Hitler e Göring.




Hess foi também o personagem principal de uma história rocambolesca da Segunda Guerra Mundial, quando na iminência da invasão da União Soviética pelas tropas de Hitler em 1941, embarcou sozinho num avião até o Reino Unido, saltando de pára-quedas sobre a Escócia na noite de 10 de maio, quebrando o tornozelo na queda, na esperança de encontrar o Duque de Hamilton.

Hess supunha que Hamilton fosse um opositor de Winston Churchill e por isso tentou encontrar-se com ele, pois Hess julgava Churchill e seu gabinete responsáveis pelo começo da guerra e não queria negociar diretamente com eles. Sua proposta de paz foi similar àquela proposta por Hitler a Chamberlain pouco antes da invasão da Polônia: a Alemanha protegeria o Império Britânico enquanto a Inglaterra não se opusesse aos projetos alemães.



 
O estranho comportamento de Hess, bem como sua proposta extrema, acabaram por minar sua reputação como negociador, principalmente depois que Hamilton teve certeza de que ele não fora enviado por Hitler.

Hess ficou furioso quando as autoridades o fizeram prisioneiro em vez de ser tratado como um enviado especial para uma missão de paz e revelou-se uma pessoa extremamente ansiosa. Um dia atirou-se das escadas, acabando por partir uma perna.

A pedido dos Serviços Secretos britânicos, o médico militar britânico Henry Dicks examinou Rudolf Hess a 2 de Junho de 1941, quando este esteve detido em Surrey considerando-o um psicopata”, mais “patético do que ameaçador”.   Hess foi aprisionado na Torre de Londres, e Hitler divulgou a notícia de que Hess havia enlouquecido e agido por iniciativa própria. Martin Bormann tomou seu lugar no posto de adjunto.



 
Hess foi julgado no Processo de Nuremberg após a guerra por crimes contra a paz e foi condenado à prisão perpétua sob insistência da URSS. Durante os anos que se seguiram, ele foi o « prisioneiro número 7 ». Após as liberações de Baldur von Schirach e Albert Speer em 1966, Hess tornou-se o último prisioneiro da Prisão de Spandau (Berlim oeste). Seus guardas indicaram que sua saúde mental degradara-se profundamente, e que havia perdido a memória.
Cquote1.pngNão me defendo de meus acusadores, aos quais nego o direito de me acusarem, a mim e aos meus compatriotas.
Não me defendo das acusações que competem aos assuntos internos da Alemanha, e que nada importam aos estrangeiros.
Não protesto contra as declarações que afetam a minha honra e a honra de todo povo alemão. Durante longos anos de minha vida me foi concedido viver ao lado do homem mais poderoso produzido por seu povo em sua história milenar. Mesmo se pudesse, não desejaria apagar esse tempo de minha existência.'
Eu me sinto feliz por haver cumprido com o meu dever como alemão, como nacional-socialista e como fiel do Führer.
Não me arrependo de coisa alguma. Se tivesse de começar tudo de novo, trabalharia da mesma forma, mesmo sabendo que ao final me aguardaria uma fogueira para a minha morte.
Pouco importa o que podem fazer os homens. Comparecerei diante do Todo-Poderoso. A Ele prestarei minhas contas, e sei que me absolverá. Cquote2.png
Rudolf Hess diante do tribunal de Nuremberg em 31 de Agosto de 1946



Hess morreu em 1987, ainda prisioneiro em Spandau. Sua morte foi qualificada de suicídio. Hess, então com 93 anos estava quase cego e movia-se com extrema dificuldade. Segundo a versão oficial, ele foi até à casa do jardim, colocou um cabo elétrico ao redor do pescoço e cometeu o suicídio. Entretanto, as declarações de sua enfermeira pessoal também colocam em xeque a versão oficial. Ela encontrou Hess sem sinal de vida no interior da casa do jardim. Tentando reanimá-lo pediu o saco de primeiros socorros que segundo ela, "foi entregue com uma grande demora, exageradamente longa" e que lhe chegou às mãos já aberto, com os instrumentos cirúrgicos destruídos e a garrafa de oxigênio vazia.

 Rudolf Hess - aos 91 anos de idade


Esta enfermeira que acompanhou os últimos 5 anos da vida de Rudolf Hess afirma que "Hess tinha muita artrite nas mãos e já estava bastante fraco para se manter de pé sem apoio. Ele não conseguia atar os seus sapatos nem levantar os seus braços a uma altura suficiente para colocar um cabo no seu pescoço — o que derrubaria a tese de suicídio por enforcamento.

Uma segunda autópsia foi efetuada a pedido do seu filho, Wolf Hess, que contratou o patologista Dr. Spann, do Hospital de Munique. A sua conclusão refuta a opinião do médico britânico, James Malcom Cameron: "Muito provavelmente Rudolf Hess foi estrangulado por trás, por outra pessoa".
Após sua morte, as autoridades tentaram sepultá-lo em lugar secreto. Mais uma vez, seu filho interveio e conseguiu levar o corpo para o cemitério da família. A cerimónia só pôde ser realizada de madrugada, com familiares mais próximos, não podendo exceder os 2 minutos, tudo sob controle das autoridades.

















domingo, 23 de fevereiro de 2014

APRENDENDO A CONTROLAR SUAS FINANÇAS










Alguma vez você pensou que pudesse gostar e ter o completo controle sobre suas finanças?

Antes de você aprender a investir, é necessário que você tenha total entendimento e controle de suas finanças. Para isso você precisa educar seu bolso e desenvolver sua inteligência financeira.  Pessoas bem sucedidas aprendem a gerenciar e investir seu dinheiro cedo. 




O dinheiro sem a inteligência financeira é dinheiro que se perde depressa! Você com certeza já deve ter ouvido falar em vários jogadores de futebol, artistas, ganhadores de loterias entre outros, que ganharam fortunas e morreram na miséria. Por outro lado, existem pessoas que começam do nada e ganham muito dinheiro com o tempo. Muitos acreditam que um bom diploma, um bom emprego, um bom salário, são o suficiente para alcançar o sucesso financeiro. Realmente um diploma é muito importante, mas o que faz a diferença entre as pessoas bem sucedidas e as que não conseguem gerenciar seu dinheiro é o conhecimento financeiro que elas têm ou não e isto, infelizmente, não se aprende na escola. Pense nas pessoas que você conhece que tem um diploma e um bom salário e vivem atoladas em dívidas...




“As pessoas querem fazer, não querem ser. Esse é o problema. Primeiro você tem que ser uma pessoa rica. Planeje ser rico. Torne-se alfabetizado financeiramente. E antes de pedir conselhos financeiros a alguém, descubra se ele planeja ser pobre ou rico. Se ele planeja que seu rendimento diminua quando ele se aposentar, não perca seu tempo com ele. Se você quer ficar rico, siga conselhos de rico. Esse é o segredo. Você não pode fazer sozinho. Eu odeio ser tão incisivo. Mas essa é a verdade. O que é necessário para se fazer dinheiro não é dinheiro, mas alfabetização financeira. Você pode ter muito dinheiro e ainda pensar como uma pessoa pobre. Se você pensa assim, não importa quanto dinheiro você ganhe, você gastará todo ele e terminará pobre.”      Robert Kiyosaki


 Educação Financeira


Se você é igual à maioria das pessoas, você tem um emprego. Você vai para o seu trabalho todos os dias. Todas as semanas ou uma vez ao mês você recebe o seu pagamento. Você tem impostos, você tem problemas (seu carro pode quebrar, etc), você tem desejos (uma casa, roupas novas ou uma TV, etc), você tem dívidas... A vida real funciona desta maneira.


Trabalhar é muito bom; você dedica sua vida para os outros.


"O trabalho dignifica o homem" - A frase mais idiota que já inventaram.
A frase correta é esta:  "A riqueza dignifica o homem"


Atolado em Dívidas


Observe se você não está no cenário acima.

Não existe nenhuma esperança de alcance de metas financeiras futuras. Nenhuma segurança! E o mais importante, nenhuma tranqüilidade, nenhum controle de sua vida e suas finanças.  Entender suas finanças requer mais tempo e esforço que nunca, num mundo onde diariamente vivemos mudanças econômicas. Se você tem muitas diferentes metas financeiras, decidir como encontrar estas metas requer um planejamento cuidadoso.





"Uma grande caminhada começa sempre com o primeiro passo."



O primeiro passo para gerenciar o seu dinheiro é saber onde você está e onde você quer ir. Comece procurando idéias para ajudá-lo a organizar seus gastos, assim você irá saber onde seu dinheiro está indo, então trabalhe para proteger seu dinheiro através de uma combinação de planejamento e balanço de suas finanças.





Para facilitar, comece seguindo estas 5 regras de ouro:

1- Prepare um orçamento.

Antes de você poder alcançar suas metas financeiras, você precisa saber qual a sua situação financeira hoje. Para isso é necessário preparar um ORÇAMENTO.  Um orçamento mensal pode ajudá-lo a priorizar e limitar seus gastos e ao mesmo tempo descobrir caminhos para liberar mais dinheiro para usar em economias e investimentos:

- Anote todas as suas fontes de rendas como salário, bônus, aplicações e outras fontes como dinheiro proveniente de aluguéis, etc. Se você é jovem e tem apenas sua mesada, estas recomendações também servem para você. Saiba que quanto mais dinheiro você tiver disponível para investir, mais você irá ganhar!




- Em seguida olhe para os seus gastos. Anote seus gastos mensais e dívidas, incluindo as pequenas despesas como cinema, lanches, etc. Provavelmente você irá ficar surpreso ao saber como e onde você está gastando seu dinheiro.

- Anote separadamente os gastos e os rendimentos em um caderno.  Mantenha seu orçamento em dia, anotando todos os gastos e rendimentos de uma forma clara, onde você possa visualizar facilmente. No final do primeiro mês você saberá quanto está gastando.  Para gastar menos do que você ganha você precisa ser disciplinado: identifique as despesas que você pode cortar: mire nas despesas diárias como comida e pequenos gastos que não afetam a qualidade da sua vida. Por exemplo: tente trazer seu lanche ou seu almoço de casa duas ou três vezes por semana e diminua os cafezinhos - mas não seja tão duro com você mesmo, senão você não irá aguentar!  Não tente cortar tudo de uma só vez. Comece com pequenas áreas específicas e vá trabalhando as outras despesas a cada mês. Olhando honestamente para as suas finanças, você será capaz de marcar onde seu dinheiro está escoando e cortar os maus hábitos.  Uma excelente planilha de controle de gastos você encontra neste link: http://app.queroficarrico.com/planilha-controle-gastos/




2 - "Resolva não ser pobre: qualquer quantia que você tiver, gaste menos."  Esta é uma famosa citação de Samuel Jonhson, que vem junto com esta dica essencial:

- Gaste menos para ter mais dinheiro para guardar.




- Faça com que o dinheiro guardado gere mais dinheiro. 

Fazendo isso você irá começar a economizar. No começo pode parecer pouco, mais cada moeda não gasta será mais uma moeda a ser investida. Além disso, se você não guardar para depois investir, seu dinheiro não irá render juros para você. Estas economias resultantes de seu sacrifício temporário - se investidas corretamente - irão se transformar em bons lucros ao longo do tempo.




3 - Tente saldar suas dívidas e manter-se longe de novas despesas.

É essencial esperar um pouco até começar a obter lucro do seu dinheiro em vez de fazer dívidas que irão descontrolar seu orçamento. Muitas pessoas gastam mais do que ganham. Vai ser difícil aumentar seu patrimônio a fim de que atinja suas metas se você constantemente perde para as suas dívidas. Siga este conselho: nunca pegue emprestado, apenas gaste menos.




4 - Pague a você mesmo:

Guarde de 5-10% do seu salário em uma conta separada antes de você ter a chance de gastá-lo e você irá conseguir rapidamente uma grande fortuna! O melhor de tudo isso é que você irá multiplicar seu patrimônio sem mudar seu estilo de vida.




5 - Pegue a maior parte do seu dinheiro:

Guarde a mesma quantidade de dinheiro todos os meses em um investimento, isto irá ajudá-lo a multiplicar sua fortuna cada vez mais.  

Observe as recomendações acima. Não se trata de deixar de lado uma vida boa. O objetivo é não vê-la piorar e tê-la ainda melhor, não só hoje, mas também quando a idade não deixar mais tempo para arrumar o futuro.  E lembre-se que uma grande caminhada começa sempre com o primeiro passo. Quanto mais cedo você aprender a controlar suas finanças, mais rápido você irá aumentar seu patrimônio e construir sua riqueza.





















FAÇA SEU DINHEIRO TRABALHAR PARA VOCÊ!








Aprenda a diferença entre ativos e passivos.

Se você deseja ser um investidor de sucesso compre ativos que se converterão em mais ativos ao longo do tempo.

“Os pobres e classe média são ansiosos para comprar itens supérfluos que drenam o dinheiro; os ricos são ansiosos para investir em itens que geram mais receita. Os ricos entendem que se você não investir o seu dinheiro antes das taxas para comprar mais investimentos, o governo irá tirar o dinheiro de você. Esses investimentos, por sua vez, geram mais fluxo de caixa.”
    Robert Kiyosaki




O QUE SÃO ATIVOS?

Ativo é o total de bens de uma empresa ou pessoa. A riqueza de uma pessoa é medida pelo total de ativos que ela possui.

Dinheiro também pode ser descrito como um ativo. Os ativos são classificados em duas principais categorias: reais e financeiros . A diferença entre as duas é o que pode ser tocado fisicamente.  Ativos Reais, também conhecidos como ativos palpáveis, podem ser divididos em três grupos:

• Patrimônio, bens
• Commodities, como ouro e prata, etc e
• Colecionáveis, como obras de arte, selos, moedas, etc.


Os ativos reais normalmente mostram melhor avaliação quando a inflação está alta.  Ativos Financeiros, algumas vezes referidos como impalpáveis, são separados em três áreas:

• Ações,
• Títulos (títulos da dívida pública ou particulares, fundos, etc) e
• Dinheiro.

Cada categoria tem seu próprio risco e recompensa característicos.


Saúde Financeira = Ativos - Passivos


O QUE SÃO PASSIVOS?

Passivos são todas as obrigações e dívidas de uma empresa ou pessoa.  Isto envolve todas as despesas que você tem com aluguel, vestimentas, diversão, impostos, transporte, empréstimos, etc.

Para que você tenha um patrimônio sempre crescente, você precisa distinguir os ativos (tudo o que põe dinheiro no seu bolso) dos passivos (tudo o que tira dinheiro do seu bolso). Compre mais ativos que obrigações. Procure pagar seus passivos com a renda dos seus ativos. Se você não fizer isso as suas obrigações irão sempre aumentar.  A maioria das pessoas não consegue distinguir os ativos dos passivos, como no exemplo abaixo:

João tem um dinheiro sobrando e compra um carro. Com este carro ele irá adquirir despesas extras como combustível, impostos, etc. Se em vez de comprar o carro João aplicasse seu dinheiro por um certo tempo (não muito longo) e conseguisse dobrar essa quantia, ele poderia comprar o carro e ter o dinheiro para suas despesas. Ou seja, João comprou um ativo que na verdade era uma obrigação.

É claro que isto envolve também o tempo, a disposição e as prioridades de cada um. No mercado financeiro existe uma variedade de investimentos, cada qual com seus ganhos e riscos próprios, que são conhecidos apenas por uma pequena parte das pessoas.




Os problemas financeiros não são resolvidos com dinheiro e sim com inteligência. Use sua cabeça e faça o seu dinheiro trabalhar para você, para isto o conhecimento financeiro é essencial.



















O PODER DOS JUROS COMPOSTOS










"O juro composto é a maior invenção da humanidade, porque permite uma confiável e sistemática acumulação de riqueza."    Albert Einstein

Use esta grande invenção. O melhor caminho para tirar vantagem dos juros compostos é começar a poupar e investir o mais cedo possível.

Por exemplo: se os pais guardam e investem R$10,00 por dia desde o nascimento de seu filho, quando este filho completar 18 anos ele terá R$150.000,00 através do poder dos juros compostos (supondo que o retorno anual seja de 12%). Em 33 anos, na mesma razão de investimento, você poderá ter R$1 milhão, e em 65 anos, R$2,35 milhões. Isto não é milagre, é a realidade aplicada diariamente nos bancos, nas lojas, no comércio.

Os juros compostos são o resultado da equação:

M = C x (1 + i)t
C = Capital inicial
i = taxa % por período de tempo 
t = número de períodos de tempo 
M = montante final = (capital + juros)

Mas você não precisa decorar esta fórmula, apenas saber o resultado da sua utilização.




Aplicando ao seu dinheiro, isto significa que o juro incide sobre o capital já corrigido, assim o valor do juro é crescente. Em outras palavras, os juros serão integrados ao capital a cada cálculo. Pense assim, você emprestou um certa quantia a um amigo a uma taxa de 2% ao mês, no mês seguinte os 2% serão cobrados sobre o total do mês anterior (capital + juros), e assim continua aumentando, mês a mês. Esta operação também é conhecida como JUROS SOBRE JUROS.

Da mesma forma funciona um empréstimo que você faz no banco ou uma compra a prazo, um financiamento de um automóvel, casa, computador... Os juros estão embutidos e você não percebe que a sua dívida irá sempre aumentar. Por isso, o melhor é economizar e ir juntando seus tostões para, pelo menos, poder dar uma boa entrada naquilo que quer adquirir. O melhor mesmo é que você procure sempre que possível comprar à vista ou em último caso, diminuir a quantidade de parcelas numa compra. Agora, se não houver MESMO outro jeito, encare o financiamento e arque com os juros no futuro. Só não esqueça de que irá do mesmo modo se ver obrigado a apertar o cinto.

Veja este exemplo: uma TV de 29 polegadas custa à vista R$999,00 (dados de maio de 2003). Ou você pode pagar 15 vezes de R$129,00. O total a prazo será R$1935,00 - quase o dobro (100%) do que você pagaria à vista, sendo que neste mesmo período de 15 meses os juros pagos pela poupança não chegarão a 15%! No final, a quantia parcelada que você pagou poderia ser usada para comprar dois produtos iguais. Por isto que um produto tem "desconto" se for comprado à vista. Na verdade, os descontos são os juros que seriam cobrados se você comprasse à prazo.

Se você não ainda não começou a poupar, não é tarde para começar a investir agora. Basicamente, o conceito de investimento é sacrificar-se agora, providenciando as sementes que serão investidas para que futuramente, quando você não estiver mais trabalhando, você ter dinheiro suficiente para viver confortavelmente.













sábado, 22 de fevereiro de 2014

CHARLIE MUNGER

Artigo de Whitney Tilson





" - Charlie Munger, o administrador da Wesco Financial, é mais conhecido por ser o braço direito de Warren Buffett. Mas ele também é um grande investidor a sua própria maneira. Na reunião anual da Wesco, na quarta-feira passada, Charlie dividiu conosco um pouco de sua grande sabedoria sobre os pontos chaves para um investimento de sucesso, a importância do comportamento e da moral do investidor e a sua visão sobre a Berkshire, entre outras coisas."




Enquanto Warren Buffett ganha toda a atenção, Charlie Munger, seu parceiro na administração da Berkshire Hathaway, é um gênio de investimento a sua própria maneira. Eu suspeito que, se não fosse por Buffett, a quem ele chama de investidor superior, Munger bem que poderia ser considerado o maior investidor do mundo. Antes de Munger juntar forças com Buffett, na metade da década de 70, sua firma conseguiu um retorno anual médio de 24,3% entre 1962 e 1975 (Com o Dow avançando apenas 6,4% no mesmo período). Além de ser o vice-presidente da Berkshire Hathaway, Munger ainda é o presidente da Wesco Financial, cuja controladora, a Berkshire Hathaway, possui 80,1% de participação. Em uma reunião de formato aberto, mais ou menos da mesma forma que a reunião da Berkshire, Munger responde anualmente as perguntas dos acionistas por cerca de duas horas.

Como é normalmente Buffett que faz toda a exposição na reunião da Berkshire eu gosto de ir a reunião da Wesco para saber o que se passa pela cabeça de Munger e, até hoje, nunca me arrependi. Este ano Munger estava particularmente em grande forma. Durante a reunião, enquanto Munger fazia mais uma de suas observações prodigiosas, um de meus amigos debruçou-se sobre mim e cochichou: "Eu não consigo acreditar que este cara tenha 80 anos!" Eu concordei com ele.

Da mesma forma que costumo fazer nas colunas de Segunda, após a reunião anual da Berkshire, tentarei repetir aqui as coisas mais importantes que eu ouvi por lá. (as Minhas notas – com todas as 23 páginas podem ser lidas na íntegra na minha página na Internet). Acrescentei alguns poucos comentários, mas deixarei Munger falar por si próprio. Como não é permitida a entrada de gravadores na reunião, algumas vezes tive que parafrasear o que ele falava, pois não consegui escrever rápido o suficiente.




Filosofia de Investimento

Não acreditamos que os Mercados sejam totalmente eficientes como também não acreditamos que uma grande diversificação irá gerar um bom resultado. Nós, ao contrário, acreditamos que todos os bons investimentos envolvem uma diversificação relativamente baixa.
  
Se você olhar as 15 melhores decisões de investimento que fizemos, concluirá que obtivemos um resultado muito bom. Ele não foi conseguido através de uma hiperatividade, mas sim com uma quantidade extrema de paciência. Você tem que se manter firme aos seus princípios, e quando as oportunidades aparecem, deve se jogar de cabeça. Pode ser que apenas 2% das pessoas concordem conosco e que as outras 98% repitam o que outros contaram para elas [ex., que os Mercados são totalmente eficientes, etc.].

Investindo da forma como é ensinado no meio acadêmico.

Warren uma vez me disse: “Nós causamos muito pouco impacto nas pessoas”."É provável que eu faça um mau julgamento das Escolas [em pensar que elas são tão pobres] porquê as pessoas que interagem comigo tem teorias muito esquisitas": Beta, a moderna Teoria das Carteiras, e outras coisas deste tipo – nenhuma destas coisas faz o menor sentido para mim. Nós tentamos comprar negócios com vantagens competitivas sustentáveis a um preço baixo ou, até mesmo, justo.

A chave para um investimento de sucesso.

Depende muito do temperamento - a maioria das pessoas são muito assustadas, medrosas e se preocupam demais. Ter sucesso requer muita paciência, mas também ser agressivo também na hora certa. E, quanto mais lições você conseguir aprender por intermédio dos outros, sem arriscar seu próprio pescoço, melhor.

Eu não conheço ninguém que [tenha aprendido a ser um grande investidor] com grande rapidez. Hoje Warren conseguiu se tornar um investidor muito melhor do que era na época que eu o conheci, e eu também. A grande jogada é sempre continuar aprendendo. Mas, para isso, você deve gostar do processo de aprendizado.

O impacto de Munger em Buffett.

Acho que alguns autores me dão mais crédito do que realmente mereço. É verdade que Warren teve um bloqueio mental quando trabalhou para Ben Graham, fazendo toneladas de dinheiro—é muito difícil mudarmos uma concepção que deu tão certo. Se Charlie Munger nunca tivesse existido, o resultado de Buffett, teria sido, ainda assim, muito parecido com o que é hoje.




O que aconteceria se Munger morresse?

Como vocês podem ver, estamos planejando virar imortais [risos]. O que vocês necessitam – sentar-se em uma pilha de dinheiro e ter nas rédeas Warrem Buffet controlando a companhia?

O que aconteceria se Buffet se fosse?

Quando Warren Buffet se for, o setor de aquisições da empresa não será mais o mesmo, mas, todo o restante continuará bem. Isto não quer dizer que o lado das aquisições irá mal. De qualquer forma, garantimos a vocês que a taxa de crescimento histórico irá cair, e que não vamos querer me transformar num perdedor. [risos]

Acredito que o cara que o substituir não será tão esperto quanto Warren. Mas é besteira se preocupar com isto agora: "Que tipo de mundo é este que me dá Warren Buffett por 40 anos e depois me manda um filho da mãe qualquer pior que ele?" [risos]

A pilha de dinheiro da Berkshire's e da Wesco

O fato da Berkshire e a Wesco estarem entupidas de dinheiro é a maior prova de que não sabemos o que fazer com tanto dinheiro. A Berkshire tem $70 bilhões incluindo os títulos, e a Wesco também está cheia de dinheiro. Está mais difícil do nunca. No passado, era só ter paciência que aparecia uma oportunidade para colocarmos o dinheiro para trabalhar. Eu não vejo o menor sinal de que as coisas possam estar melhorando [em termos de investir todo o dinheiro disponível na Berkshire's e Wesco]. Prevemos ainda um mundo de muito dinheiro na mão.

Ainda existem ações subavaliadas?

O nosso dinheiro parado responde por si mesmo. Se nós tivéssemos um monte de idéias espetaculares, não teríamos tanto dinheiro parado.

O Código Moral

Acreditamos que existe uma linha muito tênue entre as coisas que você deve fazer e as coisas que você pode fazer sem se envolver com problemas legais. Acho que você não deve nem tentar chegar perto desta linha. E nós não merecemos nenhum crédito por isto, porquê isto nos auxilia a fazer mais dinheiro. Gosto de acreditar que estamos procedendo da maneira correta mesmo quando não acertamos. Mas, é muito mais comum ganharmos dinheiro fazendo a coisa certa. Lembre-se da regra de Louis Vincenti: "Diga a verdade e você não terá que se lembrar de suas mentiras." É um conceito muito simples.

A perda da ética pelas maiores firmas de contabilidade:

Quando eu era jovem, as... maiores firmas de contabilidade eram... lugares bastante éticos e ninguém ficava obscenamente rico... Mas, de uns 25 anos para cá, elas passaram a adotar uma postura terrível, um pouquinho de cada vez. Quando você começa a fazer uma coisa errada, fica difícil não se envolver na seguinte. E, no final, você se torna um esgoto moral. É a idéia de que a grande maioria das firmas do país conseguem vender descontos em impostos....

Derivativos:

Acredito que um bom teste mental, moral e da qualidade de qualquer  instituição grande [com exposição significativa em derivativos] seria perguntar a eles: "Vocês realmente entendem a sua contabilidade com derivativos?" Qualquer um que responder sim a esta pergunta ou é maluco ou mentiroso.



 
Conclusão:

Munger é muito sarcástico e tem grandes tiradas em diversos assuntos. Aqui seguem as minhas favoritas: 

"Se os diretores de fundos mútuos são independentes, então eu sou o bailarino principal do Bolshoi”.  

 "Faz tanto tempo desde que compramos alguma coisa que [se alguém nos perguntar sobre o impacto de nossas operações no Mercado] seria como perguntar a Rip Van Winkle* sobre os últimos 20 anos”.  

 "Acho que pessoas que tem vontade de ser guardas carcerários não estão entre as melhores para se selecionar candidatos a nobres”. [Do livro simplicidade profunda]

 “É muito difícil conseguir entender tudo, mas se você não conseguir, sempre restará a opção de entregar a questão para um amigo mais inteligente”.

(*) - Rip Van Winkle - Personagem clássico de estórias infantis que teria dormido continuamente por 20 anos. 




 Buffett & Munger - 2012






(Artigo de Whitney Tilson - 2011)