sábado, 24 de maio de 2014

SE A ASTROLOGIA FUNCIONASSE, TODOS OS ASTRÓLOGOS SERIAM RICOS - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"













Este axioma menor, aparentemente, pega no pé da astrologia, mas é só porque na América, como no resto do mundo ocidental, a astrologia é a mais popular das crenças ocultas.  Uma recente pesquisa Gallup mostrou que32 milhões de americanos adultos acreditam em astrologia, e muitos mais são leitores ocasionais de horóscopos de jornais e revistas. Outras disciplinas ocultístas, como feitiçaria e tarô, admitem menores números de fiéis. O 12º axioma menor se dirige tanto a eles como aos adoradores dos astros.

A proposta aqui oferecida à sua consideração é a seguinte: se você se sente atraído pela astrologia, ou por qualquer outra doutrina mística ou sobrenatural, então mergulhe de cabeça na sua substância e espírito. Divirta-se, torne-a parte da sua vida, faça o que quiser. Porém, antes de tentar utilizá-la para ganhar dinheiro, preste a si mesmo um favor. Dê uma olhada nos praticantes dessa doutrina, especialmente nos que afirmam serem os seus mestres, sacerdotes ou gurus, e faça uma única pergunta: Eles estão ricos?




Se não estiverem nem mais nem menos ricos do que qualquer outro grupo humano escolhido ao acaso, você já aprendeu um fato útil. Por mais que as doutrinas ocultistas possam fazer pela sua paz interior etc., o que elas não farão é aumentar o seu saldo bancário.

Conforme descobrirá, astrólogos e seguidores da astrologia, como grupo, não são nem mais nem menos ricos do que ninguém. O mesmo se aplica a quem acredita em tarô, poderes da mente ou qualquer outro sistema místico, pseudocientífico ou religioso. No que se refere a dinheiro, andam tão no escuro, aos tombos, quanto qualquer um. Alguns são ricos, alguns são pobres.




A maioria se acha no meio-termo. Quase todos gostariam de ser mais ricos. Por outras palavras, não são melhores nem piores que ninguém: são iguais.




Como a maior parte dos pastores, padres e rabinos das grandes religiões, alguns gurus ocultistas lhe dirão que o negócio deles não é ajudá-lo a enriquecer. Freqüentemente, isto não passa de pretexto; quando é autêntico, porém, merece os nossos aplausos. Mas muitos gurus prometem ajuda em questões de dinheiro. A maioria dos horóscopos, também. Toda hora a gente lê: ‘’Peixes. O período de 3 a 10 de junho é auspicioso para investimentos...’’




Se pedir aos propagadores dessas doutrinas místicas que lhe provem que se pode ganhar dinheiro com elas, geralmente conseguem provar. Isto é o que torna essas doutrinas perigosamente tentadoras. Como os profetas que estudamos no 4º Grande Axioma, todo ocultista praticante é capaz de contar a história de um golpe de sorte.

Algumas são realmente espantosas. Se tiver um amigo ou conhecido que acredite em ocultismo, ele é capaz de encher a sua cabeça de ‘’provas’’ e você acaba achando que talvez, quem sabe... Mas, agüente a mão no seu ceticismo e no seu bolso. As histórias que ouvirá não são diferentes da fantástica aventura de Jesse Livermore com a Union Pacific. Não provam que uma determinada visão mística é capaz de gerar dinheiro. Provam apenas que quem passa um bom tempo especulando, um dia acerta na mosca, possivelmente em circunstâncias muito estranhas.




Eu mesmo já tive dessas experiências. A mais engraçada ocorreu com um baralho de tarô. Interessei-me por tarô há muitos anos, quando uma revista me encomendou um artigo sobre a história dos jogos de cartas. Apurei que o nosso conhecido baralho de 52 cartas, com o qual jogamos bridge, pôquer etc., é descendente direto do baralho de tarô, de 78 cartas. O tarô foi criado para adivinhar o futuro, não para jogos, mas alguma coisa chamou minha atenção.

Tornei-me superficialmente capaz de ler tarô. Um bom meio de animar festas chatas.




Nas minhas pesquisas, inevitavelmente, topei com histórias envolvendo dinheiro. Muitas das adivinhações do tarô têm a ver com riqueza e pobreza, de forma que a coisa se presta bem a histórias de dinheiro. Uma das melhores me foi contada pelo pessoal da Godnick & Son, corretora de Wall Street, grande especialista em operações a termo.

Certo dia, um camarada muito mal vestido apareceu nos escritórios da Godnick em Beverly Hills, querendo comprar Control Data a termo. Trazia um cheque de pouco menos de 5.000 dólares, em seu nome, de uma caderneta de poupança local. Evidentemente, acabara de encerrar a sua conta. Com base em vários indícios, Marty Tressler, gerente da Godnick na Califórnia, deduziu que aquele dinheiro era tudo que o homem tinha na vida. Preocupado, fez várias perguntas ao estranho cliente.




Tinha certeza de querer arriscar todo o dinheiro? O homem disse que sim, tinha certeza. Tudo no mesmo papel? Exato. Mas, pelo amor de Deus, por que Control Data? Nesse tempo, a empresa não atraía grandes atenções em Wall Street. Achavam que tinha problemas graves, e que levaria anos a consertá-los. Quando havia negócios, o que não era freqüente, a ação andava pelos 30 dólares. Diante de Control Data, a reação típica de um especulador, depois de rápida olhada, era mais ou menos a seguinte:

- É, um dia pode ser interessante. Quem sabe, daqui a um ano a gente olha de novo? O cliente de Marty Tressler, porém, não tinha a menor dúvida quanto ao que queria: Control Data, Tressler continuou perguntando por quê? Finalmente, o homem balbuciou qualquer coisa sobre tarô.




As cartas tinham lhe passado uma dica quente. Mesmo correndo o risco de perder o negócio. Tressler continuou argumentando com o homem, que não se deixava abalar. Insistia em pôr tudo num termo de Control Data. Cheio de relutância, Tressler recebeu os 5.000 dólares, e desejou-lhe boa sorte.

Passados seis meses, devido a fatores que não podiam ter sido previstos por nenhum método racional, Control Data era um dos papéis mais quentes do mundo, negociado a mais de 100 dólares. O estranho cliente apareceu e disse que queria liquidar a sua posição. Recebeu um cheque de pouco mais de 60.000 dólares. Em seis meses tinha multiplicado o seu capital em mais de uma dúzia de vezes. Pegou a grana, disse até logo e nunca mais foi visto pela Godnick & Son.





Um espanto, não é verdade? Mas a história não acaba ai. Entro eu nela. Até aqui, o caso me foi contado por Bert Godnick, o & Son da corretora, num restaurante perto de Wall Street. Ouvi tudo com o maior interesse porque, por acaso, eu era dono de algumas centenas de ações da Control Data.

Eu não fora presciente como o leitor de tarô de Marty Tressler. Não comprara as minhas ações a 30 dólares. Quando embarquei já andavam pelos 60, a animação era grande à volta delas, e eu achava que ainda ficaria maior. Meu palpite estava certo. A cotação continuou a sua louca escalada. No dia do meu encontro com Godnick, dera um pulo enorme, parando um pouquinho abaixo de 120 dólares, que eu estipulara como minha posição de saída.

Conversamos sobre tarô e sobre Control Data. Godnick não se entusiasmou quando lhe disse que pensava liquidar a minha posição quando o papel batesse 120. Velho especulador, ele sabia tudo sobre liquidação de posições, mas achava que, no caso, eu deveria abrir uma exceção. Seu palpite era de que Control Data prosseguiria quente ainda por vários meses. O papel subiria muito mais. Conversamos a respeito. De brincadeira, ele finalmente sugeriu que, se eu não tivesse certeza, consultasse o meu baralho de tarô.




Também brincando, foi exatamente o que fiz, no dia seguinte.

Existem várias maneiras de se obter ‘’orientação’’ de um baralho de tarô. Uma delas é formulando uma pergunta direta: ‘’O que devo fazer a respeito disto assim-assim?’’ Ou: ‘’Quais são as perspectivas disto assim assado?’’

Embaralha-se, então, colocam-se as cartas da maneira prescrita, e elas são estudadas. Supostamente, a resposta está contida na ordem em que as várias figuras e naipes aparecem, e se estão de cabeça para cima. (Ao contrário dos baralhos modernos, as cartas de tarô têm parte de cima e parte de baixo.)




Procedi como mandam as regras do tarô e fiz a minha pergunta sobre as perspectivas da Control Data. No tarô, as respostas costumam ser meio equívocas, cheias de ‘’talvez...’’, ‘’quem sabe...’’, ‘’por outro lado...’’ Para surpresa minha, a que recebi não tinha talvez. Foi direta, dizendo que o futuro da Control Data era glorioso, impecável. Eu nunca vira uma disposição de tarô tão segura do que queria dizer.

Frank Henry teria morrido de vergonha de mim. Em toda a minha vida, eu jamais permitira que religião ou ocultismo interferissem nos meus assuntos financeiros. E somente umas poucas vezes, até então, eu rompera um compromisso que assumira comigo mesmo: sair de um jogo uma vez atingido o ponto de saída. Mas eu fora apanhado pelo tarô. A ação bateu 120 e, em vez de vender, fiquei só olhando.


LIVRO DE OCULTISMO ANTIGA CIÊNCIA DAS ADIVINHAÇÕES


Em minha defesa, devo dizer que não fiquei amarrado à previsão do tarô, a ponto de adormecer sonhando. Continuei cultivando as minhas sadias preocupações, pronto a pular fora ao primeiro sinal de crise. Durante semanas, porém, nada de sinal. O papel maluco subiu sem parar e bateu 155 dólares.

A essa altura, eu estava realmente preocupado. Quando você ultrapassa a posição de saída e não sai, passa a ter a sensação de que gigantescos elásticos o estão puxando para trás. Quanto mais você anda, mais eles parecem esticados. Quando o papel chegou a 155, tornei a pôr as cartas.

Desta vez, a leitura foi catastrófica. As cartas diziam que mudanças violentas e imensas infelicidades vinham pela frente. Imediatamente, fiz o que sempre quisera fazer: mandei vender.

O papel foi indo, se arrastando, bateu 160 e daí mergulhou. Para quem ficou segurando, uma catástrofe. Onda após onda de ordens de venda foram derrubando o preço, uma desencadeando a seguinte. Quando cessou o pânico, uns nove meses depois, Control Data era negociada a 28 dólares.




Salvo pelo tarô! Será? Com o tempo caí na real. Não existe a mais mínima prova de que a minha sorte tenha sido produto de qualquer qualidade mágica das cartas. O que aconteceu, na verdade, foram dois bons golpes de sorte.




Realmente, seria bobagem, no futuro, depender de sorte igual, sob circunstâncias semelhantes. Até tal esperança seria loucura: poderia me levar, sem escalas, ao desastre financeiro. Tendo compreendido isto, imediatamente recuei e afastei-me da ilusão ocultista que quase me envolvera. Guardei o meu baralho de tarô, jurando não tornar a pôr as mãos nele, a não ser em festas, para divertir o pessoal. Mantive a jura. Com o tempo, até em festas a coisa ficou sem graça. Perdi o interesse pelo tarô, e já nem sei onde foi que guardei aquele baralho danado.





Se astrologia funcionasse, diz o nosso 12º Axioma Menor, todos os astrólogos seriam ricos. O mesmo vale para o tarô. Qualquer um pode acertar uma ou duas, mas o teste verdadeiro para qualquer hipótese de se ganhar dinheiro é se funciona sempre. Depois da aventura da Control Data, se eu ainda tivesse dúvida em rejeitar a ajuda oculta, pouco tempo depois já não tinha mais.




Certo dia, em Nova York, fui almoçar com um autoproclamado mestre do tarô. O convite era dele. Vivia de ler tarô, da venda de baralhos e de um manual de instruções. Sabedor que eu andava pensando em escrever mais sobre o assunto, achou que era uma chance de obter divulgação. Por mim, tudo bem. era um tipo interessante.

Garantia que o tarô era um dos melhores meios do mundo de se atingirem objetivos financeiros.




Terminado o almoço, o garçom trouxe a conta. O mestre do tarô fez que não viu. Finalmente, acabei pagando a despesa. Ele sorriu e disse:

- É por conta da firma, não é mesmo?

Na verdade, na época eu não trabalhava para firma nenhuma, mas, tudo bem. Só que, ao sairmos do restaurante, na calçada, as coisas ficaram mais engraçadas ainda. Explicando que, temporariamente, estava com ‘’um pequeno problema de caixa’’, o mestre do tarô me tomou 5 dólares para o táxi!




Nunca mais botei os olhos nele, nem nos meus 5 dólares. Mas não me queixo pelo dinheiro. Entrou como despesa de educação.















sexta-feira, 23 de maio de 2014

PHILIP FISHER - BIOGRAFIAS












Descrição do Trabalho:

Consultor financeiro de sua própria firma situada em São Francisco. 

Estilo de investimento: 

Investidor do tipo “compra-e-guarda” (Buy-and-Hold) em ações tecnológicas de crescimento de super-longo prazo. 



" - Eu sou 15% Fisher e 85% Graham".   W.Buffett


Perfil:

Depois de especializar-se como analista em um Banco de São Francisco, Phil Fisher iniciou sua própria consultoria em investimentos em 1931. Phil especializou-se no tipo de firma pela qual a Califórnia ficou mais conhecida: Companhias de tecnologias inovadoras e voltadas para pesquisa e desenvolvimento. Só que ele começou 40 anos antes do nome Vale do Silício fosse sequer imaginado.

As empresas que comprou para seus clientes eram de tecnologia relativamente baixa, como por exemplo, a Dow Chemical e a Food Machinery Corporation. Tempos depois, foi o primeiro investidor profissional a reconhecer os méritos de firmas de alta tecnologia como a Motorola e a Texas Instruments, logo no início.

Phil morreu recentemente, em 2004. Era um homem extremamente lógico e metódico, que seleciona companhias para compra somente após um minucioso estudo dos relatórios e após entrevistar diretores e concorrentes. Ele sempre possuiu um pensamento independente e normalmente contrário a multidão o que o ajudou a descobrir valor em empresas antes da multidão. 




Maior sucesso:

Fisher adquiriu papéis da Texas Instruments em 1956, muito antes dela se tornar pública em 1970. A Texas Instruments foi cotada inicialmente por volta de US$ 2,70, tendo chegado, recentemente a  US$ 200 – um aumento de 7.400 %, sem considerar os dividendos. O ganho de capital de Fisher deve ter sido maior ainda por ter comprado os papéis antes de se tornarem públicos.   

Métodos e estratégias:

Concentre sua atenção e recursos em novas ações de crescimento.

Para descobrir e pesquisar boas oportunidades:

1. Leia tudo que cair em suas mãos, de noticiários financeiros a análises de corretoras.
2. Questione aqueles que detém conhecimentos, como administradores, empregados e, em especial, fornecedores, consumidores e concorrentes que são mais acessíveis.
3. Visite, caso possível, várias filiais da companhia e não somente a Matriz. 




Antes de efetuar uma compra, certifique-se que você conseguiu respostas satisfatórias a cada uma dos 15 pontos:

1. A companhia possuí produtos e serviços com potencial de mercado para um bom crescimento de vendas, pelo menos nos próximos anos?
2. A administração tem a determinação de continuar a desenvolver produtos ou processos que irão aumentar as vendas quando o potencial de crescimento dos produtos atuais tiverem se esgotado?
3. Qual é o esforço da companhia em pesquisa e desenvolvimento, quando comparados com seu tamanho?
4. A companhia tem uma estrutura de vendas acima da média ?
5. A companhia tem uma boa margem de lucro ?
6. O que a companhia tem feito para melhorar sua margem de lucros ?
7. A companhia tem uma excelente política de relacionamentos de pessoal e de trabalho ?
8. A companhia tem uma excelente política de executivos?
9. A companhia vai a fundo em sua administração?
10. A companhia tem uma boa análise de custos e controle de gastos?
11. Existem outros aspectos do negócio, peculiares ao seu ramo, que irão fornecer ao investidor pistas importantes sobre a excelência da companhia em relação a seus concorrentes?
12. A companhia possuí uma visão de curto ou longo prazo em relação a lucros?
13. No futuro, é provável que o crescimento da companhia requererá a emissão de mais ações para financiar seu negócio, de maneira que o grande número de ações irá anular o benefício dos acionistas que anteciparam este crescimento ?
14. A companhia fala abertamente a seus investidores quando o negócio vai bem, mas se cala quando problemas e desapontamentos ocorrem?
15. A companhia possui uma administração de integridade inquestionável?

Só existem três motivos para se vender:

1. Se você cometeu um erro crasso na sua avaliação da empresa.
2. Se a empresa não passa mais nos 15 testes tão facilmente como fazia anteriormente.
3. Se você conseguir investir seu dinheiro em uma outra companhia muito mais atrativa. Mas, antes de fazer isto, você tem que estar muito consciente de suas razões.




Citações:

"Eu não quero um monte de bons negócios; Eu quero poucos excepcionais”.

"A maior recompensa em investimentos vem daqueles que, por sorte ou bom senso, encontram aquelas companhias que podem crescer em vendas e lucros bem acima do que a indústria como um todo”.

"A esfera de um negócio é uma coisa interessante. É impressionante a fotografia que se pode fazer dos pontos fracos e fortes de uma determinada empresa pelo cruzamento de informações daqueles que, de uma forma ou de outra, estão preocupados com uma firma em especial”.

"Se você fez um trabalho correto na compra de uma ação a melhor hora de vender é nunca”.   




Outras informações:


Fisher descreveu seus pontos de vista no livroCommon Stocks and Uncommon Profits”, publicado originalmente em 1958.  A edição de 1996, publicada por J Wiley, contém também dois outros trabalhos, "Conservative Investors Sleep Well" e "Developing an Investment Philosophy", um apanhado bastante elucidativo de suas experiências anteriores. 














O MITO DO ÍNDICE PREÇO/LUCRO (P/L)












Seria possível prever para onde vai o mercado olhando para o valor médio do índice P/L? Alguns investidores pensam que sim ou, pelo menos, que faríamos uma boa coisa se comprássemos quando o índice estivesse baixo e vendêssemos quando o índice estivesse alto. Minha experiência diz exatamente o contrário. O nível do índice P/L não tem qualquer serventia para o Tempo de Mercado ( Hora certa de comprar ).





Mas, por que acreditamos que somos capazes de prever o futuro olhando para índice P/L? Isso vem da forma como nós, seres humanos, lidamos com a natureza, justiça, valor e simplicidade. Nós acreditamos erradamente que as curvas de oferta e demanda das ações seguem as mesmas tendências das curvas de oferta e demanda do petróleo ou do milho. ("Compra-se mais de qualquer coisa quando estiver barata.") A verdade é que a demanda por ações possui uma relação justamente inversa ao preço: é quando as ações já estão altas (como estiveram em 1999) que as ordens entopem os Home Brokers.




Existe um grande componente emocional na crença de que quando compramos em mercados de P/L baixo obteríamos sucesso. Quando compramos ações “baratas” e somos recompensados com sucesso, nos sentimos espertos e merecedores do ganho de capital. Talvez os investidores tenham medo de mercados com altos P/L instintivamente. O cara da corretora ao lado que continua comprando em um mercado em alta parece um jogador e não merecedor de ganhos. Mas esse medo das alturas não deve reger sua habilidade de manter ações.

A Tese de que as ações deveriam ser vendidas quando os seus P/Ls atingirem valores altos possuem dois problemas. Primeiro que os dados históricos não suportam a tese e segundo que isso vai de encontro à teoria de finanças.

Num artigo da primavera de 2010 para o Jornal Wall Street Post, Warren Buffett mostrou estatisticamente que não existe qualquer relação entre o P/L do Mercado e seu retorno subseqüente. Isso é verdade não importa como você meça o índice (por exemplo, acima de um número aleatório, como 20, ou dentro dos maiores 20% históricos) e não importa também por quanto tempo você mede os retornos (ex: mais do que cinco anos). Essa conclusão é baseada em 125 anos de dados. Toda vez que os mercados vão bem ou mal em relação ao índice P/L existem números semelhantes de magnitudes parecidas de ocasiões em que eles fizeram justamente o inverso. P/Ls baixos levam da mesma maneira tanto a resultados ruins como bons.




Existem mais pesquisas sobre a irrelevância entre P/Ls médios e as oportunidades de compra. Empregue o P/L de referência que você quiser. Compre abaixo de 20 e venda acima de 8, ou compre abaixo de 8 e venda acima de 8, o que você preferir - Você não encontrará qualquer estratégia que funcione - De uma forma geral, você acabará com um retorno pior do que conseguiria se comprasse e segurasse. Por quê? Porquê você estará fora do mercado em períodos cruciais, e não conseguirá se livrar de todas as correções. Com um valor P/L de corte de 25, por exemplo, você estaria fora do Mercado em 1922 (quando o mercado subiu 28%) e comprado em todas as quedas que houveram nos quatro anos subseqüentes. Uma análise dos retornos da Bolsa da Inglaterra, feitas por Damodaran em seu livro "Filosofias de Investimentos" em outro mercado aonde dados históricos são bem antigos, indicam o mesmo resultado: Gatilhos de P/L não funcionam.

A teoria de finanças também vai de encontro a estratégia de permitir que o nível P/L do Mercado dite suas preferências por ações ao invés da renda fixa. As ações competem com a renda fixa por oferecerem um “prêmio de risco” Se esse prêmio fosse fixo você poderia exigir um Yeld de lucros específico. Inverta o Yeld de lucros, ou L/P, e você encontraria um P/L alvo. De posse desse P/L você poderia dizer que determinadas ações estariam baratas se estivessem abaixo dele e caras se estivessem acima. O problema é que o prêmio de risco não é regido por fórmulas matemáticas, mas por preferências emocionais variáveis que vão a favor ou contra lucros incertos (mas com oportunidades potenciais) em comparação aos fluxos mais certos da renda fixa. Em suma, o humor dos investidores joga estratégias simples em relação ao índice P/L pela janela.













terça-feira, 20 de maio de 2014

CONTROLE O MEDO NA QUEDA E A GANÂNCIA NA ALTA











Qualquer um fica inseguro quando surge uma enxurrada de más notícias e a bolsa começa a cair. Eu também sinto essa aflição. Mas o que diferencia um investidor sênior de um júnior é a sua capacidade de manter os nervos sob controle quando o mercado todo está apanhando. É preciso saber que a cotação de uma ação do chão não passa para aproveitar as boas oportunidades de compra. 

Por outro lado, quando a bolsa está em alta, também é preciso saber que uma árvore não cresce acima do céu. Por mais que pareça que aquele movimento de alta não vai acabar nunca, é preciso saber vender quando o objetivo estiver cumprido. Eu defendo que só seja investido em bolsa aquele dinheiro que não tem prazo para ser resgatado. Se a pessoa investe em bolsa para comprar algo daqui a dois anos, está cometendo um erro. Ainda que dois anos possa ser definido como longo prazo, a bolsa pode estar pior daqui a dois anos. A pessoa deve investir em bolsa até o momento em que possa colher os resultados dessa aplicação.
















SUPERANDO O CETICISMO










Superar o ceticismo. "O céu está caindo. O céu está caindo."  Todos nós conhecemos a história da galinha pessimista, que corria em torno do terreiro anunciando o fim do mundo. Todos conhecemos gente assim.

Mas todos temos uma "galinha pessimista" dentro de nós. Como já disse em outra ocasião, o célico é verdadeiramente uma galinha pessimista. Todos nós parecemos com a galinha pessimista quando o medo e a dúvida toldam nossos pensamentos.

Todos nós temos dúvidas. "Não sou inteligente." "Não sou tão bom assim." "Fulano é melhor do que eu." Nossas dúvidas muitas vezes nos paralisam. Jogamos o jogo do "E se?". "E se a economia entrar em colapso logo depois de eu fazer o investimento?" "E se eu me descontrolar e não conseguir pagar as dívidas?" "E se as coisas não funcionarem como planejado?"




Ou temos amigos ou pessoas amadas que nos lembram sempre nossas falhas. Eles dizem frequentemente: "O que o faz pensar que você pode fazer isso?" "Se fosse uma ideia tão boa, então como foi que ninguém se lembrou disso antes?" "Isso nunca vai dar certo. Você não sabe do que está falando." Essas palavras de dúvida muitas vezes calam tão profundamente que deixamos de agir. Um sentimento horrível aperta nosso estômago.

As vezes não conseguimos dormir. Não andamos para a frente, de modo que ficamos com a segurança e abandonamos as oportunidades.

Observamos a vida passando por nós enquanto sentamos imobilizados com um frio no corpo. Todos já passamos por isso na vida, alguns mais do que outros. 

Peter Lynch, do Fidelity Magellan, um conhecido fundo mútuo, faz advertências sobre o céu que despenca como um "ruído" e todos nós o ouvimos.




O "ruído" pode ser criado dentro de nossa cabeça ou vir de fora. Muitas vezes de amigos, familiares, colegas ou da mídia. Lynch lembra o tempo, na década de 1950, em que a ameaça de uma guerra nuclear era tão comum no noticiário que as pessoas começaram a construir abrigos antinucleares e a estocar alimentos e água. Se elas investissem esse dinheiro sabiamente no mercado, em lugar de construir os abrigos, provavelmente teriam atingido a independência financeira nos dias de hoje.