sexta-feira, 8 de agosto de 2014

CVM DÁ SINAL VERDE PARA NOVA ESTRUTURA DE CORRETORAS NA BOLSA












A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) aprovou na quarta-feira a proposta da BM&FBovespa que modifica a estrutura das corretoras de valores. De acordo com as novas regras, passam a existir dois tipos de corretoras, as Participantes de Negociação Plenas (PNP) e as Participantes de Negociação (PN).

As primeiras serão semelhantes às corretoras atuais, prestando todos os serviços e fazendo todas as operações direto com a bolsa, como liquidação dos negócios, tendo com isso de manter garantias na BM&F Bovespa. Já as PN farão o atendimento ao cliente, mas a liquidação e o acesso ao ambiente de negociação da bolsa serão feitos por intermédio de uma outra corretora PNP.

As mudanças são importantes pois permitirão às empresas, hoje na maioria operando no prejuízo por conta do mercado acionário ruim e a queda no número de investidores, reduzir despesas e se concentrar nas operações que realmente desejam, deixando os investimentos em tecnologia para terceiros.

Continuará sendo necessário, porém, ser integrante do sistema de distribuição, ou seja, corretora de títulos e valores mobiliários, distribuidora, corretora de mercadorias, banco de investimentos ou banco múltiplo com carteira de investimentos.

Liberação de R$ 25 milhões

Com isso, além de reduzir as despesas com infraestrutura e tecnologia para liquidar os negócios, as corretoras plenas que se tornarem PN poderão liberar as garantias depositadas na bolsa, de R$ 25 milhões, explica Edemir Pinto, presidente da BM&FBovespa. “Hoje não olhamos as corretoras por seu tamanho ou seu modelo de negócio e, com esse novo modelo, vamos passar a diferenciá-las”, diz o executivo. A bolsa tem atualmente 73 corretoras que, para começar a operar, tiveram de depositar os R$ 25 milhões, o que representa um valor imobilizado na bolsa de R$ 1,825 bilhão.


EDEMIR  PINTO - PRESIDENTE DA BOVESPA


O projeto passa a reconhecer as corretoras por seu tamanho e seu modelo de negócio”, explica Edemir, observando que algumas poderão se concentrar somente no atendimento dos clientes, deixando a parte de liquidação das operações para outras. Com custo menor, poderão ainda se especializar em determinados mercados ou clientes apenas, observa.

Fim do conta e ordem

A mudança acabará ainda com o sistema de conta e ordem hoje mantido por empresas de agentes autônomos, distribuidoras e corretoras não credenciadas na bolsa. Por esse sistema, elas enviam as ordens de seus clientes para serem executadas por uma corretora credenciada. “Hoje há cerca de 300 empresas, entre distribuidoras, bancos e corretoras que não são credenciados na bolsa e, desses, 20%, 25% (60 a 75) operam por conta e ordem”, estima Edemir. Essas 75 empresas terão de se tornar corretoras PN para continuar operando.

Controle da BSM

A vantagem do novo sistema é que esses participantes passarão a ser fiscalizados pela Bovespa Supervisão de Mercado (BSM), que passa a ser responsável pelo seu funcionamento. “A CVM deu um voto de confiança ao transferir para a BSM essa responsabilidade”, afirma Edemir. As empresas PN também terão de aderir ao Programa de Qualidade Operacional (PQO) da bolsa, o que também não era exigido. “Podemos ter outras empresas, como Family offices ou gestoras, bancos de investimentos, que hoje distribuem apenas cotas de fundos e que podem se interessar em distribuir outros investimentos”, disse Edemir.


EDEMIR PINTO


Cerca de 45 PN

O presidente da bolsa  estima que até o fim deste ano 10 a 15 corretoras tradicionais peçam a mudança de PNP para PN. Outras 30 empresas que operam por conta e ordem também devem aderir ao formato PN, o que elevaria o total a 45. Mas o sistema só deverá entrar em funcionamento pleno no começo do ano que vem. “A BSM terá de fazer uma auditoria operacional em todas as empresas que quiserem se tornar Participantes de Negociação, e isso deve levar um tempo”, explicou.

Deve ser criado também um código de autorregulação para as novas empresas.

Além disso, os clientes das empresas que se tornarem PN passarão a contar com a proteção do Mecanismo de Ressarcimento de Perdas (MRP), que cobre eventuais prejuízos por falhas operacionais da bolsa ou dos participantes.

As corretoras PN continuarão com todo o acesso e exclusividade dos clientes, explica Cicero Augusto Vieira Neto, diretor executivo de Operações, Clearing e Depositária. “Os dados do cliente não serão repassados para a corretora PNP que vai executar as ordens, até por isso o PN continuará responsável pelo cadastro, “know your customer” (fiscalização do cliente) suitability, controle e recebimento de ordens e pela liquidação e custódia perante os clientes”, diz.  Tínhamos um modelo único de corretora, extragrande, que não permitia muita flexibilidade para as empresas mudarem seus modelos de negócios”, afirma Vieira.





O sistema permitirá ainda a consolidação de corretoras, que hoje sofrem com a falta de escala e a queda do número de clientes e das receitas. “Acredito que quatro ou cinco corretoras podem iniciar um processo de consolidação em meio a essas mudanças, temos hoje duas empresas grandes no mercado atuando como consolidadoras”, diz Edemir, referindo-se indiretamente à XP Investimentos, que recentemente comprou a Clear, e a Rico, que se junto à Caixa Geral de Depósitos (CGD). 














CARTEIRA ATUALIZADA DO INVESTIDOR EM VALOR












Hoje fiz aportes no FII  TBOF11.  Vejam como ficou a carteira:


AÇÕES:








FIIS:






PATRIMÔNIO CONSOLIDADO:













segunda-feira, 4 de agosto de 2014

DO CONSENSO - EXTRAÍDO DO LIVRO "OS AXIOMAS DE ZURIQUE"









René Descartes


"Fuja da opinião da maioria.  Provavelmente está errada."


René Descartes foi campeão mundial da dúvida. Teimosamente, recusava-se a acreditar em qualquer coisa até que a tivesse verificado pessoalmente. Este foi um dos traços que fez dele um bem sucedido jogador e especulador.

Morreu há mais de trezentos anos, mas o especulador moderno aproveitará muito - além de passar várias noites agradáveis - da leitura da obra desse encantador homenzinho feioso, com seus olhos negros e penetrantes, o nariz feito um crescente, e dotado de um gigantesco intelecto.

Descartes começa a sua filosofia duvidando de tudo, literalmente, inclusive da existência de Deus, do homem e de si próprio. As autoridades religiosas da sua França Natal ficaram furibundas, de maneira que foi melhor ele fugir para os Países Baixos. Continuando a recusar o que os outros queriam vender-lhe como verdade, ele buscou meios de descobrir a verdade através dos seus próprios sentidos e experiências. Finalmente, deu com o que considerou uma verdade básica e indiscutível: ‘’Cogito, ergo sum’’, ou seja: ‘’Penso, logo existo.’’

Agora convencido de que não era apenas um fantasma dos seus próprios sonhos. Descartes continuou a comprovar ou rejeitar outras verdades postuladas. No processo, fez importantes contribuições à matemática, e construiu uma filosofia que, pela pura lucidez do seu pensamento, não foi superada em três séculos - e, na minha opinião, nunca teve concorrentes, sequer quem se lhe aproximasse. No mesmo impulso, também, tanto como hobby quanto porque gostava de vinhos caros e de outros luxos, Descartes estudou cientificamente os jogos.




Na primeira metade do século XVII, existiam umas poucas e mal organizadas bolsas de valores e de mercadorias. Descartes deixou-se fascinar pelo grande e ativo mercado de Amsterdã; se chegou a pôr o seu dinheiro ali, e em quantidades, não se sabe. Sabe-se, porém, que freqüentemente viajava a Paris, às vezes com papéis falsos para não ser preso como herege, a fim de jogar.

Para tomar dinheiro dos trouxas, havia disponíveis jogos de cartas, tabuleiros e roletas. Descartes gostava de jogos que, como o bridge e o pôquer hoje em dia, além de sorte implicavam cálculos matemáticos e psicologia.




Estudava os jogos com o cuidado e o ceticismo costumeiros, rejeitando todos os clichês e lugares comuns da sua época, insistindo em descobrir verdades e falácias por conta própria. Aparentemente, sempre voltava de Paris mais rico do que na ida, às vezes muito mais. Embora o único meio de vida conhecido, ao longo de toda sua vida de adulto, fosse uma modesta herança do pai, Descartes morreu financeiramente muito bem.

O truque, não se cansava ele de repetir em diferentes contextos, é rejeitar o que lhe dizem, até ter pensado tudo pela própria cabeça. Duvidava das verdades afirmadas por autoproclamados especialistas, e recusava-se até a ouvir a opinião da maioria. Escreveu ele: ‘’Não existe praticamente nada que tenha sido afirmado por um sábio e não tenha sido contraditado por outro.’’ E também: ‘’ Contar votos não serve de nada. Em qualquer questão difícil, é mais provável que a verdade seja descoberta por uns poucos do que por muitos.’’




Foi com esta visão do mundo, arrogante talvez, e certamente solitária, que René Descartes freqüentou as mesas de jogo de Paris, das quais saiu rico. Um especulador bem sucedido só tem a ganhar dando atenção às palavras desse homenzinho duro, de olhar penetrante.

Na nossa era democrática, no nosso democrático lado do mundo, tendemos a aceitar sem críticas a opinião da maioria. Se um monte de gente diz que é assim, tudo bem, assim seja. É como nós pensamos. Se não temos certeza de alguma coisa, vamos contar os votos. Desde o primário aprendemos que a maioria está sempre certa.




Nos EUA e em outras nações ocidentais, é quase uma religião, principalmente na França e na Inglaterra, ambos países com longas tradições de resolver problemas pelo voto popular. Se 75% das pessoas acreditam em alguma coisa, parece quase sacrilégio perguntar, ainda que num sussurro:

- Ei, esperem aí, será que não podem estar errados?

Guiemo-nos por Descartes: podem. Nos EUA, é o voto que decide quem governa. É o único meio de fazê-lo. Pelo menos, é o único meio que os americanos aceitam sem briga. São treinados desde a infância a aceitar o desejo da maioria. As vezes, há quem resmungue contra esse desejo - quem perde uma eleição reclama muito -, mas, no fundo, por trás de todo o som e toda fúria, sempre se ouve o termo da democracia: ‘’O povo falou. Não se pode iludi-lo. Se é isto que quer, deve estar certo.’’




Essa humilde aceitação da opinião da maioria passa para a vida financeira. Não apenas são ouvidos economistas, banqueiros, corretores, assessores e outros especialistas, mas também as maiorias. E isto pode custar dinheiro, pois, como dizia Descartes, é mais provável que a verdade tenha sido encontrada por uns poucos do que por muitos. 

Os muitos podem estar certos, mas as probabilidades são contra eles. Pare com o hábito de achar que todas as afirmativas muito repetidas são a verdade. ‘’Um grande déficit orçamentário será a ruína da América’’, diz quase todo mundo. É verdade? Talvez sim, talvez não. Descubra você mesmo. Tire suas próprias conclusões. ‘’Na segunda metade da década, aumentarão a inflação e a taxa de juros.’’ É mesmo? Não engula, simplesmente.

Examine. Não deixe que a maioria manobre com você. Estudando os outros Axiomas, vimos muitas coisas que são afirmadas por maiorias. Vale mais um pássaro na mão que dois voando. Mantenha uma carteira diversificada. Arrisque somente apenas o que pode se permitir perder. E assim por diante. Todos esses conselhos supostamente sábios fazem parte do conhecimento popular.

Em qualquer coquetel ou reunião, é só trazer investimentos à discussão que os clichês logo aparecem. E, à medida que esses chavões vão sendo repetidos, quem estiver por perto balançará a cabeça, compenetradamente, e dirá:

- Exato. Perfeito! Excelente conselho!

A maioria das pessoas acredita que os antigos clichês são verdades indiscutíveis. Isto posto, vale a pena observar que a maioria das pessoas não é rica.












domingo, 3 de agosto de 2014

O SONHO IMPOSSÍVEL - DESVENDAR O TIMING DE MERCADO











O Sonho de todo investidor é descobrir o momento de entrar e de sair de uma posição  na hora certa.  Isso, por vários motivos.  Um deles é que uma pessoa bem-sucedida nessa estratégia não precisa de qualquer habilidade para selecionar ações, porque sabe entrar e sair de uma posição no momento exato por si só gera enormes retornos.

O perigo de entrar e sair de uma posição na hora certa é que, ao conseguirmos isto, tornamo-nos uma presa fácil da próxima estratégia que se proponha a desvendar o timing de mercado. 

A questão de se é possível descobrir o timing de mercado e ganhar dinheiro com isto, e quais os custos envolvidos nesta estratégia, possui fortes adeptos e fervorosos opositores tanto entre os profissionais de mercado quanto no meio acadêmico.  Embora o meio acadêmico seja quase unânime em afirmar que o timing de mercado não vale o tempo e os recursos que consome, os profissionais do mercado mantêm acaloradas discussões em torno destes dois pontos.

Se o timing de mercado não tivesse um custo, todos nós deveríamos tentá-lo, dado os enormes retornos produzidos pelos acertos. No entanto, existem custos expressivos associados às tentativas frustradas de se fazer o timing de mercado:

1 – Ao trocarmos ações por caixa, para em seguida, voltarmos a investir em ações, podemos ficar de fora dos melhores anos do mercado. Em um artigo intitulado “A loucura do Timing de mercado acionário”, Jeffrey analisou os efeitos de se trocar, todos os anos entre 1962 e 1982, ações por caixa para, em seguida, voltar a investir em ações, e concluiu que o potencial de se perder com esta estratégia excede o potencial de se ganhar.  Esse resultado foi confirmado por Chua, Woodward que usaram simulações de Monte Carlo no mercado canadense e confirmaram que, para que um investidor que use a estratégia de timing de mercado não perca dinheiro, é preciso que ele acerte entre 70% e 80% de suas mudanças de posições.

2 – Esses estudos não consideram os custos de transação embutidos nesta estratégia, já que o timing de mercado envolve negociações frequentes.  No limite, uma estratégia de troca de ações por caixa significa liquidar toda uma posição de títulos de capital e começar do zero novamente da próxima vez que decidir investir em ações.

3 – Uma estratégia de timing de mercado também envolve um aumento potencial do seu passivo tributário.  Em consequência, acabaremos por pagar muito mais impostos ao longo de nossas vidas como investidores.

Os ganhos com timing de mercado além de expressivos são visíveis, enquanto que os seus custos nem sempre são tão evidentes.  Isso talvez explique por que tantos investidores e gestores de fundos, apesar de o negarem, tentam fazer o timing de mercado.  Além disso, a visibilidade que têm os estrategistas de mercado das grandes empresas de investimentos parece indicar que a alocação de ativos é percebida como importante.




No entanto, apesar do apelo que possui, o timing de mercado continua a ser um sonho fugaz para a maioria dos investidores.  Quando se estuda a história do mercado, observa-se que o número de investidores bem-sucedidos com esta estratégia é bem menor do que o número de investidores que tiveram sucesso com uma estratégia de seleção de ativos, e, assim mesmo, não fica claro se aqueles que tiveram êxito não foram beneficiados pela sorte.  E por que é tão difícil ter sucesso com o timing de mercado?  Uma das explicações é que existem poucas vantagens competitivas entre os investidores que adotam esta estratégia.  Ainda assim, é possível que, com pesquisas e boas informações, se obtenha uma vantagem informacional no processo de seleção de ações.  Aqueles que fazem o timing de mercado afirmam que podem, a partir de informações disponíveis, utilizá-las de forma mais criativa ou construir modelos melhores que prevejam as mudanças dos mercados.  No entanto, a verdade é que estas estratégias podem ser facilmente imitadas, e a imitação é o beijo da morte nas estratégias de investimentos bem-sucedidas.




É provável que existam tantas estratégias de timing de mercado quanto investidores.  Algumas dessas estratégias são baseadas em indicadores não-financeiros, outras em indicadores técnicos, outras em bandas, outras, ainda, em variáveis macroeconômicas, tais como taxas de juros e ciclos de negócios.  Há, também, as que se utilizam das ferramentas que usamos para avaliar ações:  os modelos de fluxos de caixa descontados e o método dos múltiplos.




Nas últimas décadas, têm existido investidores que alegam poder prever o comportamento futuro do mercado por meio do exame de indicadores não-financeiros.  Alguns desses indicadores são de origem claramente duvidosa e poderiam ser classificados no que chamaríamos de indicadores espúrios.  Outros indicadores, como o índice de saias, que relaciona o preço de ações ao comprimento das saias femininas, se enquadram no grupo dos “indicadores de humor”, que buscam avaliar o estado de espírito dos agentes econômicos, os quais, no frigir dos ovos, são ao mesmo tempo os consumidores que movem a economia e os investidores que determinam os preços.  Por fim, há os “indicadores oba-oba”, que avaliam se os preços de mercado estão se descolando da realidade.






Os investidores que fazem o timing de mercado são as estrelas cadentes do universo dos investimentos.  Embora atraiam muita atenção enquanto brilham, desaparecem rapidamente.  Examinando os timers de mercado mais conhecidos (os gurus do mercado) ao longo do tempo, desde Jesse Livermore, no início do século passado, a Ralph Acampora, o excêntrico estrategista de mercado da Prudencial no início da década de 1990, encontramos um grupo bastante diverso.  Alguns eram especialistas em análise gráfica, outros eram fundamentalistas, outros, ainda faziam mistério quanto aos seus métodos.  No entanto, há três características que são comuns a todos eles:

1 – Uma capacidade de ver o mundo em preto e branco:  Os gurus do mercado não prevaricam.  Muito pelo contrário, fazem declarações corajosas sobre onde o mercado estará daqui a seis meses ou um ano e que, na hora, parecem estapafúrdias.  Acampora, por exemplo, ficou famoso com sua afirmação de que o índice Dow chegaria a 7.000 quando ainda estava em 3.500.

2 – Uma afirmação correta sobre uma grande mudança de mercado:  Todos os que fazem timing de mercado ficam famosos quando acertam pelo menos uma grande mudança de mercado.  Para Livermore, foi o crash de 1929 e para Acampora foi a alta da década de 90.

3 – Personalidades extrovertidas:  Os gurus de mercado são histriônicos natos que usam a mídia de suas épocas como caixa de ressonância para alardear não só suas próprias previsões quanto ao mercado, mas também os seus sucessos.  Na verdade, parte do seu sucesso pode ser atribuída à sua capacidade de fazer com que os outros investidores ajam com base em suas previsões, transformando-as, pelo menos no curto prazo, em profecias auto-realizadas.


JESSE LIVERMORE

Então por que os gurus do mercado tropeçam?  Os mesmos fatores que contribuem para seu sucesso parecem estar subjacentes aos seus fracassos.  Suas convicções absolutas quanto às suas habilidades de timing de mercado e seus sucessos passados parecem levá-los a declarações ainda mais estapafúrdias que acabam por destruir suas reputações.  Joe Granville, um guru do final da década de 70, por exemplo, passou toda a década de 80 recomendando que as pessoas vendessem ações e comprassem ouro e seu boletim informativo foi classificado como o pior da década em termos de desempenho.

JOE GRANVILLE

Todo mundo quer fazer timing de mercado e não é difícil entender por que.  Um timer de mercado bem-sucedido pode gerar retornos muito elevados, com relativamente pouco esforço.  O custo do timing de mercado, entretanto, é alto tanto em termos de custos de transação (quanto maior o giro, maior é a carga tributária) quanto em termos de custos de oportunidade (ficar fora do mercado em anos nos quais o mercado sobe).  Na verdade, precisamos estar certos em cerca de dois terços do tempo para que o timing de mercado dê resultado.





Se acreditamos ser a exceção a essa regra geral de fracasso, e que podemos fazer timing de mercado, poderemos fazê-lo com graus variáveis de entusiasmo.  A estratégia mais simples é a de alterar a composição da alocação de ativos para que reflita nossas visões do mercado, mas isso pode exigir que saiamos do mercado acionário por longos períodos.  Se quisermos estar plenamente investidos em títulos de capital, podemos tentar mudar de estratégia de investimento antes das mudanças de mercado, passando de investimento em valor (em períodos de alto crescimento econômico) para investimento em crescimento (se o crescimento se estabilizar) ou redirecionar nossos recursos entre os diversos segmentos econômicos do mercado.  Por fim, se tivermos fé suficiente em nossas capacidades de timing de mercado para sairmos ilesos, podemos comprar mercados subavaliados e vender mercados superavaliados e realizar lucros significativos quando eles convergirem.  O risco, é claro, é que divirjam e, neste caso, veremos nossa carteira sofrer como consequência.















sábado, 2 de agosto de 2014

EZTEC - A MAIS SÓLIDA EMPRESA DO SETOR DE CONSTRUÇÃO












A Eztec, hoje, é a mais sólida empresa de construção civil do Brasil e a mais respeitada incorporadora do mercado.  Com mais de 100 empreendimentos lançados e mais de 3 milhões de metros quadrados de área construída, está presente em mais de 40 bairros da região metropolitana de São Paulo.  Eis um breve vídeo institucional muito bem elaborado sobre a Empresa:




E confira uma entrevista com Ernesto Zarzur, presidente e fundador da EZTEC para o programa Pedro Alcântara.  Zarzur fala sobre os acionistas da empresa, do lançamento Quality House Ana Costa, que expande para a cidade de Santos e os 34 anos de credibilidade e solidez da empresa:




E a entrevista com o diretor de relações com investidores da construtora, Emílio Fugazza, que nos fala como a empresa vem mantendo a maior margem bruta do setor:













TODOS OS SETORES OFERECEM LIÇÕES PARA SE GANHAR DINHEIRO












Os melhores modelos de negócios são claros, de fácil entendimento e simples de serem operacionalizados.  A regra de Kobrick sustenta que a simplicidade é melhor para a direção, e melhor para os analistas e stock pickers, e quase sempre melhor para a obtenção de grandes retornos financeiros.

Quanto maior o número de fatores na análise, maior o risco nos papéis e menor a probabilidade de obtenção de uma grande bolada de dinheiro. Isso significa que menos é mais. Um número reduzido de fatores reduz os riscos e aumenta as chances de obtenção de um grande retorno financeiro.





Assim, embora, por exemplo, as ações de empresas aéreas ou de tecnologia possam deixa-lo rico, há uma porção de fatores que entram na análise delas, e, portanto, elas estão na ponta do espectro de negócios.  Localizam-se na extremidade complicada. Um exemplo de uma empresa na outra ponta, a extremidade simples, é uma grande empresa que gerou resultados uniformes ano após ano.












CONSELHOS DE DONALD TRUMP













COMO COMPRAR AÇÕES E TÍTULOS


" - Acredito firmemente que, a não ser que se tenha informações de cocheira ou um grande consultor financeiro, o investidor típico costuma estar em desvantagem.  Portanto, eis três conselhos:

1.Faça o seu dever de casa antes de investir.  Um investidor burro é um investidor morto.

2.Contrate um consultor, se puder se dar a esse luxo, e sempre pesquise o que você está comprando.  Não acredite em “dicas quentes” ou em ganhos rápidos.  Esses tipos de investimentos costumam acabar na lata do lixo.

3.Só compre empresas quando compreender o que elas fazem.  É sempre fácil seguir a boiada e comprar o que todos estão comprando.  Invista apenas naquilo que você conhece bem.

Ações e títulos são um jogo perigoso, portanto se você quiser comprá-los, eu o aconselho a ser muito criterioso.  Eles são o jogo dos jogadores.  Você ganha algumas vezes e perde em outras.  Lembre-se: o estabelecimento comercial leva vantagem, e fico muito mais a vontade jogando em um dos meus cassinos do que em Wall Street.  Afinal de contas, se uma companhia desmorona, os acionistas e os que possuem títulos dela são sempre os últimos da fila dos perdedores.  Nos meus cassinos, você fica muito mais a vontade, e provavelmente ganha um pouco mais de dinheiro.


TRUMP CASSINO - LAS VEGAS

Se as ações forem irresistíveis, sempre invista naquelas que conhece melhor. Eu compreendo o mundo imobiliário, os elementos essenciais dos negócios, mas também as forças  quase indescritíveis que fazem o mercado imobiliário vibrar.  Não compreendo biotecnologia nem computadores nem madeira, por isso não arrisco meu dinheiro nestas indústrias.  Se você já está jogando, por que se arriscar em um jogo cujas regras você sequer compreende?  Se, por outro lado, existem empresas e indústrias que você conhece, mande brasa!  Tem idiota que acredita que ser investidor é igual a ser um “clínico geral”.  Clínico geral é o burro do gerente do seu banco que entende de tudo um pouco, mas nada de maneira aprofundada.  É por isto que existem as especialidades médicas.  Você já viu um Neurologista tratar de um doente do coração, ou um cardiologista tratar de um câncer no cérebro?  Assim é também no mundo dos investimentos.  Um Buffet entende tanto de imóveis, quanto eu de ações.  Portanto, resuma-se somente à área que você entende.

Ao selecionar ações e títulos, a essência deve ser as pessoas envolvidas.  Existem algumas grandes empresas com grandes produtos, mas, se um pateta assumir a direção das atividades, a companhia está marcada para o fracasso.  Se uma multinacional farmacêutica criar um pílula que prolongue a vida até os 100 anos e todo mundo pirar por causa disto, a empresa mesmo assim não dará certo se um idiota estiver no comando.  Portanto, escolha suas ações como escolheria seu próprio cirurgião.  Você não deixaria que um incompetente o operasse; da mesma forma, não permita que um deles cuide do seu dinheiro.

Além disso, observe cuidadosamente as cifras.  A organização deve estar crescendo anualmente aos trancos e barrancos.  Se os lucros de uma empresa têm aumentado pouco por ano – ou se ela vem perdendo dinheiro – livre-se das suas ações ou títulos, e invista em outra coisa.  Os riscos dos mercados de ações e títulos são enormes, de modo que você só deve apostar neles se as recompensas superarem os riscos.

E lembre-se sempre: é o resultado final que conta.  Os CEOs vivem fazendo promessas sobre o desempenho futuro de suas companhia, mas se bons resultados não forem obtidos antes não espere que o sejam da próxima vez.  Venda as ações ou títulos e siga em frente! "


DONALD TRUMP